ReproduçãoCarlos Careqa: curitibano obscuro foi contemplado na coletânea
MPB tipo exportação


Coletânea organizada por David Byrne traz faixas de nomes consagrados como Gilberto Gil e desconhecidos do grande público como Carlos Careqa

Nelson Sato
O orgulho pátrio se satisfaz, às vezes, com migalhas. Com a festejada redescoberta da música popular brasileira pelos norte-americanos, é possível prever um estufar ufanista de peitos no País, pegando carona no oba-oba patrocinado pela Globo em torno dos 500 anos de Descobrimento.
ReproduçãoMarisa Monte: suingue de Jorge BenjorPara isso, basta que a mídia ecoe a onda em tom triunfalista, o que não é difícil de acontecer. Há, de fato, muito confete sendo lançado sobre a MPB na imprensa norte-americana. O Grammy de ‘‘world music’’ abocanhado por Gilberto Gil no começo do ano, foi apenas um episódio do atual hype que se espalha pelas páginas de publicações como The New York Times, Spin e Rolling Stone, nas quais nomes como Caetano Veloso, Tom Zé e Mutantes andam com o prestígio nas nuvens.
Toda essa euforia talvez não tivesse lugar sem os lançamentos periódicos do selo Luaka Bop, fundado pelo cantor e compositor David Byrne há cerca de dez anos e que vem desde então abastecendo as lojas gringas com música brazuca de qualidade. Byrne é o responsável pela reabilitação mercadológica de Tom Zé que, sem a ‘‘mão’’ do amigo, continuaria amargando por aqui o ostracismo e a fama de eterno ‘‘maldito’’.
ReproduçãoCaetano Veloso: um dos pontos altos do disco com a canção ‘‘O Estrangeiro’’Pelo selo, Byrne lançou várias coletâneas - a última delas acaba de chegar às lojas locais com o título Beleza Tropical 2 - Novo! Mais! Melhor! (Warner). O disco foi lançado primeiro lá fora. Trazendo 15 faixas, o CD reúne medalhões como Caetano Veloso e Gilberto Gil, cantoras consagradas como Marisa Monte e Daniela Mercury, representantes da geração 80 como Arnaldo Antunes e Paralamas e nomes ainda desconhecidos do grande público como o grupo Moleque de Rua e o paranaense Carlos Careqa.
Os dois últimos, para decepção dos que tentarem subestimar suas presenças, mandam bem nas respectivas faixas. Em ‘‘Pregões do Rio’’, o Moleque de Rua parece se inspirar no próprio nome para imprimir um manifesto na letra, pontuando a canção com levadas funk de guitarra. Em ‘‘Acho’’, o cantor e compositor curitibano combina versos líricos e bonito arranjo com a interpretação mais contida da coletânea. Byrne parece fascinado pela percussão orgânica brasileira, predominante na maioria das faixas.
O mico fica por conta de Sérgio Mendes, que destoa dos demais com batida eletrônica e letra em inglês. Arnaldo Antunes, o único contemplado com duas faixas, revela-se um intérprete duvidoso e melodista sofrível em ‘‘Imagem’’ e ‘‘Seu Olhar’’. Caetano Veloso foi garimpado com acerto na escolha de ‘‘O Estrangeiro’’, com a impagável paradinha no riff de piano.
ReproduçãoA coletânea ‘‘Beleza Tropical 2’’, organizada pelo músico norte-americano David Byrne, saiu pelo selo Luaka BopLenine exaure ‘‘Hoje eu Quero Sair Só’’, faixa promocional de seu álbum O Dia em que Faremos Contato. Marisa Monte se sobressai com o suingue benjoriano de ‘‘Balança Pema’’. Chico Science e sua banda Nação Zumbi tocam fogo na nervosa ‘‘Rios, Pontes & Overdrives’’. Completam o CD composições de Gilberto Gil, Margareth Menezes, Gonzaguinha, Tom Zé e Daniela Mercury.
Mas o ‘‘embaixador’’ musical David Byrne não vai ficar por aí nesta temporada. Para o próximo mês, ele engatilha o lançamento de uma coletânea dos Mutantes.

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