A MPB independente vai bem, obrigado. É o que aponta a experiência da gravadora paulistana Kuarup, que está comemorando 25 anos de atividades com uma série de shows e gravações de CDs ao vivo.
Comandada por Mário de Aratanha e Janine Houard, a gravadora abriga em seu elenco nomes como Elomar Figueira de Melo, Renato Teixeira, Pena Branca, Heraldo do Monte e Teca Calazans a maioria deles revelados nos anos 70 e, desde então, banidos das grandes companhias, rádios FM e programas de auditório de TV.
Nessas duas décadas e meia de atividades, seu catálogo reuniu 150 títulos, todos de artistas filiados à gêneros e estilos como choro, música instrumental brasileira, clássicos, nordeste e caipira. Ao longo dessa trajetória, conquistou 18 prêmios Sharp, um Grammy Latino (''Semente caipira, de Pena Branca'', gravado em 2001) e até um Disco de Ouro pelas 250 mil cópias vendidas de um CD que juntou Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho ao vivo em Tatuí, em São Paulo.
Festejando as bodas de prata, a Kuarup não parou para assoprar velas e cortar o bolo. Novos títulos estão pulando dos fornos durante as celebrações. Um deles, ''Sempre Waldir'', presta homenagem ao cavaquinista Waldir de Azevedo. O disco integra a coleção ''Sempre'', dedicada a mapear os grandes mestres da música brasileira trazendo perfis da obra de figuras como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Anacleto de Medeiros.
''Sempre Waldir'', produzido por Henrique Cazes, reúne várias gerações de músicos inspiradas pelo autor de ''Brasileirinho''. Traz desde contemporâneos de Waldir como Chiquinho do Acordeon (interpretando ''Delicado'' e ''Mágoas de Cavaquinho'') a chorões surgidos nos anos 70 como Déo Rian (''Não há de ser Nada'') e Zé da Velha (''Carioquinha'') passando ainda pela turma de Henrique Cazes (''Choro novo em Dó'' e ''Vê se Gostas'') até desembocar na novíssima safra de Bruno Rain (''Quitandinha'') e do grupo Rabo de Lagartixa (''Arrasta Pé'').
Não menos respeitável, o CD ''Pena Branca canta Xavantinho'' é outro lançamento comentado desta temporada festiva. Depois de ganhar um Grammy Latino pelo seu primeiro álbum-solo, ''Semente Caipira'', o cantor mineiro Pena Branca voltou ao estúdio e acaba de sair de lá com um tributo a seu irmão Xavantinho, falecido em 1999 e com quem formou uma das mais famosas duplas de música raiz.
O disco traz 19 canções do irmão, destacando sua primeira composição (''Primeira Cantiga'') e a última sessão de estúdio da dupla (''Meu Céu'', parceria de Xavantinho com Zé Mulato). Inclui ainda, entre outras, ''Casa de Barro'', ''Encontro de Bandeiras'', ''O Aboiador'' e ''O Grande Sertão''. As gravações contaram com convidados ilustres como Xangai, Renato Teixeira, Nivaldo Ornellas, Viola Quebrada e Oswaldinho do Acordeon.
Oswaldinho, o virtuose do acordeon, também está de disco novo na praça. ''Um Bom Forró'', seu primeiro trabalho pela Kuarup, traz forró pé-de-serra com roupagem moderna. O repertório presta as honras ao mestre Jackson do Pandeiro trazendo um pout-pourri de seus sucessos, além de músicas do próprio Oswaldinho e de outros compositores Lenine, entre eles.
''A história do violão pernambucano e seu papel fundamental e decisivo na formação da linguagem violonística brasileira é assunto para um livro, mas se a gente quiser resumir isso tudo a um nome, ele é Henrique Annes'' escreve Maurício Carrilho no encarte do CD ''Henrique Annes Violão Pernambucano'', outro da fornada recente da Kuarup.
Annes é considerado um dos principais compositores de peças para violão do país. É ainda notável divulgador da obra de seus mestres Romualdo Miranda e Zé do Carmo e de craques como Canhoto da Paraíba, Alfredo Medeiros, Ernani Reis e Miro Rosé. No CD, ele passeia pelo balanço da série Caribeana, pela dolência dos Prelúdios e pelo choro em companhia de instrumentistas do quilate de Joel Nascimento (bandolim), Altamiro Carrilho (flauta), Paulo Sérgio Santos (clarineta), Luciana Rabelo (cavaquinho), Maurício Carrilho (violão) e Jorginho do Pandeiro.
Ainda no lote de lançamentos, o Quinteto da Paraíba chega ao mercado com o CD ''Capiba & Gonzagão'', no qual os 5 músicos celebram o caminho entre a música popular e a linguagem clássica executando peças dos dois compositores do título com arranjos assinados (predominantemente) pelo maestro Guerra Peixe. Completando a fornada, o cantor-ator mineiro Jackson Antunes chega às lojas com o CD ''Pé de Serra'', que reúne faixas de compositores como Zeca Baleiro (''O Parque da Juraci''), Tino Gomes (''Leonardo da Vinte'') e Petrucio Amorim (''Meu Cenário'').
Brevemente, novos títulos ampliarão o catálogo da Kuarup, dessa vez com registros ao vivo de shows. É que a gravadora está promovendo uma série de apresentações pelo país para festejar a passagem dos 25 anos. Alguns deles serão gravados para o CD ''Cantoria Brasileira''. Elomar, Pena Branca, Renato Teixeira, Xangai, Teca Calazans, Antonio Adolfo, Cida Moreira, Monarco e Cristina Buarque são alguns dos artistas escalados para a temporada comemorativa nos palcos.

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