Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Trazer os compositores e intérpretes que não são professores é a grande estratégia da 8ª Oficina de MPB de Curitiba. Na edição que começa amanhã, Nelson Sargento vem como o compositor consagradíssimo para representar a sua própria geração de ilustres.
Segundo o maestro Roberto Gnattali, coordenador dessa da oficina, a maior preocupação é trazer este tipo de artista - os que fazem música. ‘‘As escolas de música repetem os anseios da classe média, com professores formados e com títulos. A turma da MPB genuína fica à parte’’, reconhece.
Com isso, as escolas não dão atenção à MPB. ‘‘As crianças e adolescentes consomem só o que a televisão determina. E isso é ditado pelas gravadoras. Mas esses professores ‘informais’ só não estão dando aulas por falta de convites. Aqui, nas oficinas, nós fazemos questão de ter essas pessoas transmitindo conhecimento’’, afirma o maestro.
Como exemplo dos que darão aulas na Oficina, está o próprio Nelson Sargento; Nelson Faria - improvisação e guitarra elétrica; Luiz Otávio Braga - violão de sete cordas e prática de conjunto; Maurício Carrilho - violão de seis cordas e conjunto de samba e componente da Camerata Carioca junto com Joel do Nascimento - que também estará em Curitiba com uma oficina de bandolim -, Jayme Vignoni - cavaquinho. E, o mais novo no time, Oscar Bolão, que dará uma oficina inédita de pandeiro. ‘‘Desta forma estaremos com o regional de choro completo’’, comemora.
Entre os sambistas estarão presentes Odilon Costa - baterista da Escola de Samba Grande Rio -, Guilherme Gonçalves - bateria e conjunto de percussão - e Bororó, no contrabaixo.
Dos que já participaram em outras oficinas, Gnattali cita a cantora Elza Soares, que nunca havia dado uma aulas antes e foi um sucesso, e o letrista e poeta Sérgio Natureza. ‘‘Os sambistas tem esta escola que nós chamamos de informal como a única que conhecem, portanto, ela é formal.
‘‘A Oficina é um permanente desenvolver’’, avalia Gnattali. ‘‘Não é estanque. Tem continuidade e vai se consolidando durante o ano no Conservatório de MPB. A nossa intenção é contribuir para o estudo, preservação e divulgação da música dos grandes mestres. Além de oportunizar novos talentos, claro.’’
Os shows de MPB serão sempre às 21 horas, no Teatro da Reitoria. Amanhã acontece a abertura da 8ª Oficina de MPB com o espetáculo ‘‘A Cara do Brasil’’, apresentado pelo Coral Brasileirinho e Grupo Samba Gogó - formado por cantores que já foram do Brasileirinho -, com direção artística de Simone Cit e Milton Karam; dia 21 o show será do Vocal Brasileirão, com direção artística e regência de Marcos Leite; dia 22 será a vez da Orquestra do Conservatório de MPB de Curitiba, sob regência do maestro Roberto Gnattali; dia 23, show com Iso Fischer; dia 24, apresenta-se o grupo Viola Quebrada; dia 25, Anna Toledo mostra seu show ‘‘A Tempo’’; dia 29, haverá uma homenagem a Nelson Sargento e Leon Barg, com uma apresentação do Grupo de Percussão e Bateria de Escola de Samba, Também no dia 29, das 15 às 20 horas, no auditório do Colégio Estadual, haverá apresentações dos alunos de coral infanto-juvenil, conjuntos de música caipira, samba, repertório variado e conjuntos vocais.
Finalmente, no dia 30, às 11 horas, os participantes fazem um congraçamento com apresentações musicais no Memorial de Curitiba (Largo da Ordem).
Leia mais sobre a Oficina de Música na página 3.Roberto Gnatalli, coordenador da 8º Oficina de MPB, fala da valorização do gênero a partir do evento
Arquivo FolhaRoberto Gnatalli:‘‘Nossa intenção é contribuir para o estudo, preservação e divulgação da música dos grandes mestres’’

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