MPB divide espaço com outros estilos
Os proprietários de casas noturnas que se abrem para a música ao vivo não concordam com a crítica dos músicos. Eles admitem apenas que a MPB está dividindo espaço com outros estilos. Alexandre Fontana Guimarães, proprietário do Vila Fontana e do Empório Guimarães, vai mais longe e arrisca que daqui a dois anos, os bares de Londrina estarão tocando mais blues e jazz.
Segundo ele, estes ritmos já explodiram nas capitais. A mudança, segundo Alexandre, já está ocorrendo porque o público está saturado da MPB.
Há um ano Alexandre começou a colocar música ao vivo no Vila Fontana dois dias por semana. Agora já passou para três dias. A idéia, segundo ele, é incentivar talentos locais. Mas nem por isso deixa de trazer músicos de outros lugares.
Alexandre conta que veio de São Paulo há um ano, depois de morar uns tempos por lá. Quando cheguei aqui percebi que tinha público para músicas como jazz e blues, afirma. Colocou blues às quartas-feiras e lotou. Londrina cada vez mais reconhece os eventos locais culturais, acredita.
Já para o Empório Guimarães traz grupos maiores. Londrina, na opinião de Alexandre, é muito atrasada neste aspecto - música ao vivo - mas é só fazer, tem muita gente boa por aqui. Mesmo assim, acredita que está crescendo o número de bares com música.
Alexandre afirma que a música ao vivo não é um investimento caro. O couvert artístico mais o movimento da casa na noite são suficientes para pagar o cachê do músico, diz.
Nova realidade Valdomiro Chammé, há quatro anos proprietário do Bar Valentino, também discorda que a música ao vivo esteja em decadência em Londrina. Ele acredita que o espaço hoje não é apenas para a MPB como na década de 70 e 80 por exemplo.
De acordo com ele, hoje existe uma variedade maior de estilos. O público em Londrina pode escolher o que vai ouvir: blues, MPB, rock, axé music, sertaneja, FM. Chammé destaca ainda as bandas de garagem, que tocam rock pesado e já contam até com um bar específico, o Tatoo Bar.
Existe uma nova realidade devido ao grande crescimento verticalizado de Londrina, afirma Chammé. Os bares terão que se adequar a esta realidade - por causa do barulho - e colocar forro acústico, por exemplo. Mas mesmo assim Londrina ainda tem uma diversificação grande de música nas noites, conclui.
O Valentino nasceu há 18 anos, idealizado por José Antônio Teodoro, já com a proposta de ser um espaço cultural alternativo. Seguindo esta filosofia, o bar não trabalha com música ao vivo, mas sim com eventos musicais semanais - todas as quintas-feiras.
Nós gostamos muito quando o artista vem divulgar um trabalho novo, uma fita cassete, por exemplo. Ou então encomendamos shows com temas, como no caso do Chaminé Batom, que já fez por cinco anos, shows como Elis Vive, afirma Chammé.
Com esta filosofia de incentivo à cultura, o bar já lançou vários talentos locais. Entre eles, Chaminé Baton, Jazz Mania, Iguaranoise, entre outros. Chammé afirma ainda que pessoas de fora - do Nordeste ao Sul - também costumam ligar querendo se apresentar no bar.
Mas daí esbarramos no custo, não há condições de bancar transporte, hospedagem, alimentação e cachê para uma banda de cinco pessoas por exemplo. Os preços dos shows do Valentino são populares e a bilheteria sempre é dos músicos. Nunca é muita grana, mas para o músico que tira um cachê de 500,00, por exemplo, e mais a divulgação, inclusive com a cobertura da imprensa, já é legal, diz Chammé. O retorno para o bar acaba sendo o merchandising que esta política de incentivo cultural local proporciona. Além dos shows o Valentino conta ainda com telão e música mecânica.





