Os dois são filhos do Tropicalismo, mesmo que não assumam publicamente a herança musical e comportamental do movimento que renovou a música popular brasileira no final dos anos 60.
Tanto o cantor e compositor pernambucano Otto quanto a cantora paulistana Céu incorporam influências pop estrangeiras às raízes brasileiras em seus trabalhos na tradição desbravada lá atrás pelos artistas baianos.
Otto e Céu são as atrações de hoje, a partir de 22h, no Cabaré do Filo (Festival Internacional de Londrina), instalado no Parque de Exposições Ney Braga. Um se apresenta após o outro, no mesmo palco. Otto apareceu dentro do efervescente movimento "mangue beat", que sacudiu a música brasileira nos anos 90. Foi percussionista do Mundo Livre S/A, tocando nos dois primeiros discos do grupo que se destacou na cena ao lado da Nação Zumbi.
Estreou em carreira solo com o álbum "Samba pra Burro" (1998) no qual fundia pop, MPB e drum’n’bass. Foi com "Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos" (2009), porém, que conquistou unanimidade de público e crítica ao expor em versos a dor da separação amorosa com a atriz Alessandra Negrini. No final do ano passado, lançou "The Moon 1111", seu quinto álbum.
É desse disco a maior parte do repertório que ele mostra hoje, incluindo, entre outras canções, a faixa-título, "Dia Claro", "Selvagens Olhos, Nego!", "Exu Parade", "DP", "Ela falava" e a versão do hit romântico dos anos 70 "A noite mais linda do Mundo", composta por Donizete e gravada por Odair José.
Céu, por sua vez, traz o repertório de seu último álbum "Caravana Sereia Bloom" mesclado a canções de seus dois discos anteriores - "Céu" (2005) e "Vagarosa" (2009). Ela esteve há três meses em Londrina fazendo um show empolgante no Teatro Marista. Na ocasião, trouxe uma banda afiada que reforçou o psicodelismo presente em seu disco mais recente, cujas composições exploram ritmos da Região Norte do País e de países fronteiriços com o Brasil, além do rock e música brega.
Aclamada por público e crítica, é uma das vozes femininas mais inquietas da MPB contemporânea, sendo complicado prever quais caminhos tomarão seus próximos trabalhos.

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