São Paulo, 13 (AE) - Imperdível: o MPB-4 apresenta, sábado e domingo, no Palace, seu novo show. Chama-se "O Samba Bate Outra Vez". O espetáculo faz prévia do próximo disco do quarteto formado por Ruy, Aquiles, Miltinho e Magro: um disco só de sambas que com certeza reeditará o sucesso de "Sambas da Minha Terra", de 1991. No roteiro do show estão sambas que definiram o que é samba: da polêmica entre Wilson Batista (Lenço no Pescoço deu a partida) e Noel Rosa (Palpite Infeliz foi a resposta) a "De Frente pro Crime" (João Bosco e Aldir Blanc), "Olê, Olá" (Chico Buarque), "O Que É, o Que É" (Gonzaguinha)
"Lamento" (Pixinguinha e Vinícius de Morais).
O melhor quarteto vocal brasileiro aproveita para lançar duas músicas inéditas: "A Bênção", de Celso Viáfora, e "Velha Guarda da Mangueira", de Miltinho e Paulo César Pinheiro. Falam
os dois sambas, de coisas semelhantes: reverenciam os mestres, formuladores e consolidadores do gênero. Aspas para alguns versos de Paulinho Pinheiro: "Pelado, Comprido, Xangô, Babaú, Padeirinho/ Darcy, Jurandir, Preto Rico, lá vem é poeira/ Com Carlos Cachaça, Cartola, Nélson Cavaquinho/ Zé Ramos, Zagaia, Hélio Turco, Sargento/ Chegou a Mangueira". Uma enciclopédia.
Parque - Amanhã (14), no Conservatório Musical Souza Lima, e sábado, no Parque da Aclimação, o violonista e compositor gaúcho - de Passo Fundo - Alegre Corrêa lança seu mais novo disco, "Handmade", feito a quatro mãos com o também violonista Guinha Ramires, gravado no início do ano em Viena. Alegre Corrêa vive na áustria há mais de dez anos e esse é o seu quarto CD-solo. Os outros - todos deverão estar sendo vendidos nos locais dos shows - são "Infância" (1993), "Negro Coração" (1995) e "Terra Mágica" (1997).
Alegre Corrêa é um compositor inteligente, de muita ênfase melódica, brasileiríssimo - e essa condição o distingue, fora do Brasil. Compõe choros, toadas, canções, rancheiras e músicas de festa gaúchas. Sua ligação musical com Guinha Ramires vem de 1979. Trabalharam juntos durante dez anos, desencontram-se, juntaram-se novamente. Celebre-se. Em cena, nos shows, estará o Alegre Corrêa Sextett, completado por Bertl Mayer Jr. (flauta e sax alto), Denise Fontoura (piano), Marcelo Onofre (bateria) e Fernando Paiva (baixo). Formas de arte - O Instituto Cultural Itaú reabre amanhã, na Sala Azul, o programa de seu Núcleo de Música, com o espetáculo "Paralelas", dividido em duas partes: na primeira, o violonista Maurício Carrilho, à frente de quinteto, reconta a história da música urbana brasileira; na segunda parte, o pianista Benjamin Taubkin, o percussionista Marcos Suzano e mais Lelo Nazário, Teco Cardoso e Sílvio Mazzuca Jr. interpretam peças especialmente criadas para o "Paralelas", contra imagens do videomaker Sergio Rozenblit e com a dança do bailarino Cristian Duarte. A idéia é fazer interagir as formas de expressão, tendo a música como centro.
Maurício Carrilho estará no palco com Paulo Sérgio Santos (clarineta), Pedro Amorim (bandolim), João Lyra (violão) e Luciana Rabello (cavaquinho). Maurício, Paulo Sérgio e Pedro formam o mais sofisticado dos grupos do choro, O Trio. Luciana e João Lyra são músicos do mesmo quilate. O Itaú Cultural financiou a recuperação do acervo fonográfico da Funarte, mais de 60 títulos originalmente lançados nos anos 70 que foram recuperados, remixados e editados em preciosa coleção de CDs. Com base no repertório do acervo, Maurício Carrilho (que participa de vários dos discos) montou o repertório da apresentação do quinteto que comanda - com Villa-Lobos, Radamés Gnatalli, Pixinguinha.
As duas partes de "Paralelas" contrastam visões musicais primas entre si, interdependentes, complementares - essa a face didática de um espetáculo pleno de prazeres, idéia de Benjamin Taubkin, que passa a responder pela direção do Núcleo de Música. Que faça mais.

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