Mowgli, o Menino-Lobo, volta às telas
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quinta-feira, 27 de março de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Clássico e cult da literatura universal, o ''Livro da Jungle'', ou The Jungle Books, escrito pelo inglês Rudyard Kipling em fins do século 19, foi inicialmente visitado pelo cinema em 1942, numa encantadora versão também inglesa e com personagens de carne e osso dirigida por Zoltan Korda. Vinte e cinco anos mais tarde, o olhar sempre clínico e transformador de Walt Disney vislumbrou a possibilidade de transformar a grande e até certo ponto pomposa aventura do menino criado por lobos nas selvas da Índia em amável entretenimento animado para todos, especialmente para a criançada. Lançado em 1967, ''Mowgli, o Menino Lobo'' seria o último desenho de longa metragem supervisionado pessoalmente pelo criador de Mickey antes de sua morte, em 66. Hilariante, delicado e recheado de ótimas canções, o desenho foi um sucesso instantâneo e fez merecida carreira mundo afora, recebendo sucessivos relançamentos.
Trinta e seis anos depois, ''Mogli - O Menino Lobo 2'' chega às telas brasileiras (veja a programação de cinema na página 2) contando uma história que retoma o argumento exatamente do ponto em que terminou o primeiro desenho. Mogli agora vive na aldeia, entre os homens, aprendendo sobre a família de humanos - sua primeira célula foram os lobos de uma alcatéia, que o adotaram e o iniciaram nas artes da sobrevivência na floresta cheia de perigos. Sua nova vida inclui um irmãozinho , Ranjan, e sua melhor amiga, Shanti, a menina que havia atraído Mogli para fora da selva. Mas viver na vila, no entanto, implica em seguir as regras da civilização, uma nova filosofia de vida que tolhe a liberdade que o garoto conheceu e amou, ainda que crescendo num meio hostil.
Mogli (que na versão original é dublado por Haley Joel Osment, de ''O Sexto Sentido'' e ''A. I.'') sente nas veias o chamado da natureza. Tem saudades do velho amigo urso, Baloo (dublagem de John Goodman), que por sua vez também é um nostálgico dos tempos bons e vagabundos com Mogli. A sábia pantera Baguera e a tropa de elefantes do coronel Hathi tentam impedir que Baloo perturbe a nova vida civilizada de Mogli. Mas tem mais bicho querendo reencontrar o garoto. O voraz tigre Shere Khan, por exemplo, que impaciente espera a hora da vingança em nome de antigas humilhações impostas por Mogli. Ou a sinuosa, insinuante e sibilina serpente Ka, com seus olhos sempre hipnóticos. Ou ainda os abutres malandrões de sempre (o pop star Phil Collins, dublando o líder do grupo).
Nesta continuação da aventura, o diretor Steve Trenbirth e os produtores Chris Chase e Mary Thorne resgataram vários temas da história original, como o relacionamento carinhoso entre Mogli e Baloo e, claro, os memoráveis números musicais jazzísticos. ''Optamos pela história do amadurecimento de Mogli. Ele enfrenta dilemas universais que todos enfrentamos em algum momento de nossas vidas, como a ligação entre nosso passado e nosso futuro'', observa Thorne. Na trilha musical estão de volta alguns hits do passado, como a contagiante ''The Bare Necessities'', que concorreu ao Oscar de melhor canção.


