Movimentos que mantêm a tradição
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sábado, 08 de setembro de 2018
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Quem vê a bailarina japonesa Chieko Kojima realizando movimentos com uma precisão delicada e, ao mesmo tempo, orgânica, não imagina que, antes dos 20 anos, ela não havia sequer tido contato com a dança ou música folclórica de seu país. Co-fundadora do grupo "Kodo", Chieko é conhecida por seu estilo original de dança executado em meio à percussão de tambores japoneses. Ainda hoje, portanto, é uma das maiores referências do estilo Hana Hachijo, sua especialidade e marca registrada. A bailarina está em Londrina desde o início da semana para ministrar cursos e participar da 16ª edição do Londrina Matsuri, festa que reúne arte e cultura oriental desde a dança, música, tecnologia a gastronomia. Chieko apresenta-se neste sábado (8), às 20h, durante a programação do evento que segue até domingo (9), no Parque Ney Braga. A convite do grupo londrinense de taikô "Ishindaiko", ela também se apresenta neste domingo (9), às 19h30, no Teatro Mãe de Deus.

Nascida na prefeitura de Tochigi e filha de agricultores de uma comunidade, foi somente na ilha de Sado - província de Niigata, no Japão - que viu, pela primeira vez, uma apresentação de taikôs do grupo "Ondekoza". Neste momento, teve a certeza do que seu corpo e alma precisavam para viver. "Não tive dúvidas de que queria me dedicar integralmente às artes", diz. No entanto, já em 1976, ao ingressar de vez naquele universo, se deu conta de que os homens tocavam os tambores com muito mais frequência que as mulheres. Nascia, ali, a vontade de difundir a cultura japonesa de uma forma que unisse a maior quantidade possível de tradições do país. "Juntamente com outros membros dissidentes, fundamos o grupo Kodo, em 1981. Meu objetivo, desde o início, foi resgatar as diferentes características culturais de cada região do Japão e incluir as expressões dos sentimentos", comenta, exemplificando que o "bon odori" (dança da festividade) e "kagura" (dança dos deuses) estão na lista.
Assim, sua pesquisa abrangeu movimentos e melodias específicas que, posteriormente, foram mescladas aos grandes tambores, os taikôs, e objetos cênicos como leque, chapéu e sombrinha. "Cada dança tem um significado com movimentos que expressam sentimentos, sobretudo de agradecimento ao divino e respeito aos antepassados falecidos. O que fazemos até hoje é mostrar a dança tradicional com uma identidade própria que intercala delicadeza e energia, incluindo o toque dos taikôs", conta a bailarina. Além da gratidão e pedidos de benção, que não são voltados a nenhuma religião, os gestos das danças também fazem menção ao cenário bucólico do Japão, como o momento do plantio e a colheita. "Além de preservar a tradição, a missão do grupo Kodo é explorar as ilimitadas possibilidades dos tambores japoneses como algo vivo." A palavra kodo tem dupla tradução: pode significar tanto "batida do coração" quanto "filhos do tambor".
ENSINAMENTOS
Para quem pretende ingressar no grupo, Chieko diz que precisa passar por um período de "estágio", por dois anos, e então, por um teste. "Neste tempo, o aluno vai aprender sobre as técnicas do taikô, arte japonesa em geral, como a dança e músicas folclóricas." Assim como o taikô tradicional que exige um bom condicionamento físico, o estilo Hana Hachijo, do grupo Kodo, exige fortalecimento muscular, porém, um corpo muito alongado e flexível. "Antigamente, sentávamos em tatame. Hoje, os jovens só sentam em cadeiras, o que causou um certo tipo de encurtamento dos tendões. Algumas partes do corpo, como a panturrilha e pernas precisam estar fortalecidas", explica, mostrando exercícios de alongamento para que algumas danças possam ser executadas com as pernas flexionadas por um longo período ou posições de joelho sob os calcanhares.

HISTÓRIA
Desde sua estreia no Festival de Berlim, no ano de sua fundação, o grupo já se apresentou mais de 6.000 vezes em mais de 50 países nos cinco continentes. Entre participações notáveis, o grupo se apresentou na entrega do prêmio Nobel na Noruega, esteve presente no tema da Copa do Mundo de 2002 e na trilha sonora de filmes como "Hero" e "The Haunted". O grupo também fez diversas colaborações artísticas, por exemplo com o grupo Olodum, o Blue Man Group e a estrela digital Hatsune Miku. A partir de 2012, Chieko dirigiu a série "Kodo Special Performances on Sado Island" por quatro anos, e interpretou a deusa Ameno-uzume no espetáculo "Amaterasu", em 2006. "Me sinto feliz por poder tocar e dançar para os mais jovens. É a forma de passar a cultura japonesa de geração em geração para que ela permaneça viva e continue a se espalhar para o mundo", finaliza.
SERVIÇO:
Apresentação Chieko Kojima
Quando: Sábado (8), às 20h
Onde: Londrina Matsuri (Parque de Exposições Ney Braga)
Quanto: R$ 8 e R$ 4 (meia-entrada). Ingressos antecipados à venda na Rede Drogamais por R$ 4
Quando: Domingo, às 19h30
Onde: Teatro Mãe de Deus (av Rio de Janeiro, 670)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia entrada). Ingressos à venda no Seller Cabeleireiros (av. J.K. 3.266)


