Movimento pela educação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de setembro de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Até o ano 2022, daqui a 16 anos, toda criança brasileira de 8 anos saberá ler e escrever. Essa é uma das cinco metas do projeto Compromisso Todos pela Educação, que foi lançado no último dia 6, em São Paulo, que visa mobilizar o Brasil para uma rediscussão e desenvolvimento de ações estratégicas para a melhoria da qualidade educacional do País. O ano 2022 - que marca o bicentenário da Independência - foi escolhido como uma forma emblemática de levantar o questionamento sobre o quanto temos avançado - e queremos avançar - em termos educacionais - no período que totalizará 200 anos de independência política.
Organizado por integrantes da sociedade civil - empresários, educadores e ONGs - e apoio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), o projeto nasceu da convicção de que houve progressos na última década em relação ao maior acesso de alunos à rede pública, mas a qualidade do ensino oferecido nas escolas não acompanhou esse processo evolutivo. O projeto também inclui a participação do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
Um dos termômetros desse cenário desastroso é a Prova Brasil, exame realizado pelo MEC para avaliar o desempenho de alunos de quarta e oitava séries, nas disciplinas de português e matemática, que chegou recentemente a uma conclusão preocupante: o nível de conhecimento de um aluno de oitava série no Brasil é similar ao de um aluno de quarta série nos países desenvolvidos. Considerando ainda o fato de que o Brasil possui taxas elevadas de repetência e abandono e tem ocupado, nos mais recentes exames do Pisa - organizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) -, as últimas posições mundiais em domínio de leitura, matemática e ciências, é possível ter uma noção do quadro estarrecedor da educação brasileira.
O Compromisso Todos Pela Educação também chama a atenção para o compromisso dos pais e da sociedade em cobrar mais ações na área educacional. Como diz a coordenadora executiva do projeto, Priscila Cruz, ''o brasileiro está sem norte, não sabemos o que temos o direito de cobrar e nem como podemos contribuir''. O comentário de Priscila vem de encontro a uma outra recente pesquisa, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que aponta que 80% dos pais estão satisfeitos com a educação que seus filhos estão recebendo nas escolas públicas. ''Como isso pode estar acontecendo com índices educionais tão baixos atingidos recentemente? Para mim, esse resultado é um sinal de que há um descompasso entre as exigências e a realidade escolar no Brasil'', afirmou.
Além do Comitê Nacional, com sede em São Paulo, o projeto está buscando parcerias para o desenvolvimento de comitês regionais. ''Não há uma receita pronta, única; precisamos levar em conta a realidade local e suas deficiências que pode perspassar por questões ligadas à capacitação, remuneração ou os dois fatores'', disse.
Traduzir as informações e índices relacionados à educação também faz parte do trabalho do ''Todos Pela Educação''. Para isso, em breve entrará em funcionamento uma agência de notícias. ''O brasileiro sabe muito mais sobre índices econômicos do que os relacionados ao nível nacional de educação, também essencial para o desenvolvimento do Brasil.''
Parcerias com a Rede Globo e o SBT também foram fechadas para a veiculação de mensagens sobre a importância de estímulo à educação. ''É preciso que a educação seja parte do cotidiano das pessoas. Imagina quantas pessoas as apresentadoras Ana Maria Braga e Adriane Galisteu, por exemplo, podem atingir ao incentivarem o envolvimento de todos na melhoria da educação?'', questionou Priscila.
Ainda faz parte da estratégia do projeto instalar em locais públicos ''educômetros'', uma espécie de relógios eletrônicos com informações sobre os índices educacionais de cada município e o orçamento destinado para a educação. ''É o que chamamos de 'gestão à vista' e isso deve começar em um ano, período em que estaremos estudando e divulgando as cinco metas, que podem vir a ser ampliadas nesse período. É preciso validar as metas nacionalmente para que elas virem um 'mantra' na cabeça de todos os brasileiros'', concluiu.
Serviço: Mais informações sobre o ''Compromisso Todos pela Educação'' podem ser obtidas no portal www.todospelaeducacao.org.br; pelo telefone (11) 3266-5477 (com Beatriz Albuquerque ou Priscila Cruz) e pelo e-mail
[email protected].


