‘‘O rap é uma música muito forte, de protesto, e hoje atua em grande parte contra as drogas, a violência e a discriminação social’’. Apostando numa força de mudança, o Movimento Hip Hop de Londrina (MH2L) leva a cultura do rap, do grafite e do break para os internos do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (CIAADI). Hoje, a partir das 13h30, o MH2L realiza oficinas com o DJ Jesus, do grupo Irmãos do Gueto (zona sul), o grafiteiro Fred (zona norte), e os b.boys Sergin (Irmãos do Gueto) e Japonês (zona norte), sob coordenação do DJ KSK.
O CIADDI abriga atualmente cerca de 27 menores internos. A idéia do movimento, segundo KSK, é apresentar novas possibilidades aos garotos. ‘‘Esses moleques, na maioria, são da periferia e por isso podem se identificar com o hip hop. A oficina pode até despertar o rapper ou o grafiteiro que existe dentro deles’’, acredita. ‘‘Muitas vezes, por falta de grana, esses meninos não têm acesso ao material – o spray, o disco – e não desenvolvem o que sabem fazer’’.
Para KSK, o hip hop é uma alternativa para que os menores não voltem para a vida do crime, já que após 45 dias de CIADDI eles têm de ser liberados. ‘‘Aqui fora, eles podem procurar a gente. O movimento já vem fazendo um trabalho com menores de rua em parceria com a Secretaria Municipal da Ação Social. Queremos continuar com a Casa do Hip Hop e agora vamos iniciar oficinas nas casas-abrigo da cidade’’.
A idéia de levar as oficinas para o CIADDI foi compartilhada com a Secretaria da Ação Social, que entrou em contato com a direção do centro. O DJ diz que é a primeira vez que o hip hop faz um trabalho com menores presos em Londrina. ‘‘Uma das idéias é que eles pintem as celas e os muros para depois grafitar. Queremos voltar pelo menos uma vez por mês para trabalhar outras atividades’’. Depois do primeiro encontro, o MH2L vai analisar a receptividade dos internos.
O movimento espera receber apoio do empresariado local. ‘‘É fácil criticar quem está lá dentro. Mas a gente pode mudar a vida de um menino desses. Só precisa de um pouco de força de vontade e consciência. O empresário pode ajudar a manter os garotos em atividades sadias’’. Quem quiser contribuir com o movimento pode ligar para o telefone (43) 344-4830.

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