São Paulo, 20 (AE) - A reedição, em dois anos, dos 67 títulos de poesia falada da gravadora Festa coincide com o a retomada, revigorada, desse tipo de registro. Os de agora são CDs independentes (e a Festa também era uma gravadora independente), alternativos, muitos deles bancados pelos poetas intérpretes.
É o caso dos trabalhos recentes de Elisa Lucinda ("O Semelhante") e Beatriz Azevedo ("O Bum-Bum do Poeta"). Em comum, têm eles a produção financiada pelas intérpretes, o belo acabamento gráfico e a utilização da música como elemento não complementar, mas essencial à compreensão da palavra falada. Não é música aproveitada como fundo musical para a poesia, mas música feita especialmente, para colorir a poesia.
Dá-se o mesmo com os títulos da coleção "Poesia Já", da gravadora CPC-Umes. Os primeiros CDs saíram este ano: "Caravana Contrária", de Mário Chamie, e "As Fugas do Sol", de José Nêumanne Pinto. O terceiro e quarto volumes, a sair em breve, terão como protagonistas o poeta baiano, tropicalista de primeira hora, José Carlos Capinam, e Paulo César Pinheiro. Para todos eles, o compositor Marcus Vinícius, diretor-artístico da CPC-Umes, escreveu ou escreverá trilhas sonoras - é uma expressão aplicável - que, até onde se ouviu, mostram-se essenciais.
O selo Luz da Cidade, comandado por Paulinho Lima, em Niterói, criou a coleção Poesia Falada. Atores de renome lêem grandes poetas: Paulo Autran lê Fernando Pessoa, Odete Lara lê Vinícius de Morais e assim por diante. Em paralelo, a coleção Prosa adota o mesmo procedimento para textos em prosa com Othon Bastos lendo contos de Machado de Assis, Aracy Balabanian lendo Clarice Lispector.
As iniciativas reproduzem-se, em todo o País. O selo Violões da Amazônia lançou o CD "Belém". "O Azul e o Raro", com João Jesus de Paes Loureiro; Juareiz Corrêa, do Recife, relançou o disco "A Voz do Nordeste", com Ascenço Ferreira lendo sua poesia. Pelo selo Ancestral, Ariano Suassuna lê sua poesia ("A Poesia Viva de..."), com música (não feita especialmente) de Antônio Madureira. A Eldorado pôs na praça o disco em que o bibliófilo José Mindlin lê seus autores favoritos e esses títulos são apenas alguns de um movimento em expansão.

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