O filme ''Moulin Rouge'', que estreou no Brasil há uma semana, causou muita polêmica na abertura do último Festival de Cannes. O terceiro longa-metragem do australiano Baz Luhrman, que havia dirigido ''Vem Dançar Comigo'' e ''Romeu + Julieta'', reacendeu as discussões sobre a presença do pós-modernismo na sétima arte.
Seria ''Moulin Rouge'' um obra pós-moderna? Muitos críticos acreditaram que sim, por alguns aspectos contidos no filme: a montagem rápida que permite planos de menos de 1 segundo; a introdução de músicas contemporâneas a um musical de época; um multi-colorido exagerado em contraste com a usual ponderação da fotografia no cinema; o uso excessivo de lugares-comuns na trama, como se a intenção fosse mesmo satirizá-los; a utilização de atores como cantores; e movimentos de câmera realizados pelo computador, impossíveis ao tradicional modelo manual.
Apesar de tais atributos que realmente existem na obra de Luhrman, ''Moulin Rouge'' acaba caminhando para um falso modernismo, quem dirá pós-modernismo! A montagem fragmentada já se evidenciara, muito antes dos videoclipes dos anos 80, nas produções do cineasta russo Serguei Eisenstein, em filmes como ''Outubro'' e ''Encouraçado Potemkin''. A diferença é que nos filmes de Eisenstein existia uma articulação coerente entre cada plano-sequência, enquanto no musical de Luhrman há apenas a sucessão desenfreada de planos, esbanjando um potencial tecnológico que não é próprio do grande artista, apenas um artífice material.
Essa tendência, de se apoiar em efeitos visuais para ''aperfeiçoar'' a narrativa, tem se consolidado no cinema contemporâneo. E não podemos considerar esse maneirismo uma característica pós-moderna, e, sim, apenas mais uma concessão que o artista faz ao público, buscando entretê-lo da maneira mais tradicional - o velho modelo que não permite a reflexão. Eis o que alguns chamam de pós-modernismo, eis o que outros chamam de fim da linguagem cinematográfica como potencial artístico.

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