Motion Comics: futuro dos quadrinhos?
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sábado, 14 de fevereiro de 2009
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Já era de se esperar que alguém da indústria dos quadrinhos crescesse o olho sobre as produções em novos formatos, já que o impacto da era digital tem causado grande prejuízo devido a pirataria. Assim como acontece com a música e o cinema, as empresas vêm tentando se adaptar para capitalizar sobre seu material, com o objetivo de combater os bucaneiros virtuais, promover personagens, histórias e artistas e, claro, lucrar uma grana extra.
A novidade, amplamente discutida na última edição da New York Comic Con, feira de quadrinhos da Big Apple, é a criação de formatos específicos para mídias digitais a partir do conceito de motion comics, uma espécie de revista em movimento com a narrativa tradicional acrescida de efeitos de câmera e áudio.
A coisa funciona mais ou menos assim: você pode usar seu iPhone ou seu XBox, mesmo seu computador, para curtir histórias em quadrinhos filmadas e dispostas em uma narrativa com closes de câmera, panorâmicas e recursos semelhantes em meio a onomatopéias e diálogos sonorizados.
Isso começou há alguns anos, especialmente com a Marvel Comics - como na série Guerra Civil-, para promover grandes sagas ou eventos do ano. Filmes como Eu Sou a Lenda e a recente produção de Stephen King, N, também tiveram tratamento semelhante, com relativo sucesso. Esse formato agradou aos fãs, que chegaram a criar suas próprias versões de trailers de suas sagas favoritas, a exemplo da Guerra dos Anéis, protagonizadas pelos Lanternas Verdes.
A Marvel Comics, que já flertava com essa novidade, vêm disponibilizando sua biblioteca em formato digital, seja em DVDs ou on-line. O escritor Brian Michael Bendis, um dos novos arquitetos do universo da Casa das Idéias, adiantou em Nova York que vai disponibilizar a próxima série da Mulher-Aranha tanto no impresso quanto em motion comics, vendidos em DVDs.
A MTV também percebeu o grande apelo desse novo formato entre os jovens - os mais ávidos por tecnologia - e vem providenciando material do super-heroi Invencível, da Image Comics, publicado no Brasil pela HQM Editora.
Quem deu o maior passo nesse sentido até agora foi a Warner Bros. detentora dos diretos de todas as criações da DC Comics. A empresa colocou na rede via iTunes os motion comics de Batman, com a história Mad Love, e de Watchmen. O primeiro número da maxissérie foi transformada em 25 minutos, com Rorschach falando sobre suas verdadeiras percepções a respeito da cidade que vive, com direto a dramatização e tudo mais. Para conferir é só dar uma olhadinha no endereço www.ew.com/ew/static/watchmen/watchmen.html.
Obviamente, a estratégia da Warner vai de encontro à promoção dos filmes de seus personagens. No entanto, como são vários capítulos, vendidos a US$ 1,99, a expectativa é de lucrar ainda mais sobre material consagrado, já que o medo de perder o mercado impresso diante da facilidade dos leitores conseguirem revistas escaneadas por meio de troca de arquivos cresce a cada dia.
Em entrevista ao site Newsarama (www.newsarama.com), a presidente da Warner Premiere, Diane Nelson, procurou exaltar outros aspectos dessa nova aposta. Para ela, a principal razão da DC Comics oferecer os motions comics é maximizar a experiência de seus clientes de acordo com as possibilidades das novas mídias.
A primeira crítica dos leitores de quadrinhos com relação à novidade se refere a duas das principais ferramentas de narrativa do mestre Will Eisner: a composição e o layout. Ou seja, a tela do computador ou de um iPhone, por exemplo, limitam a experiência de artistas e fãs. Enquanto os primeiros perdem a liberdade de criar linhas de ação amplas, os outros são obrigados a acompanhar a aventura de forma bem mais linear, especialmente quando o uso da sequência é vertical.
O ponto positivo fica para a disposição das empresas entenderem e disponibilizarem material de acordo com o desejo e a realidade dos fãs, que já não são os mesmos do século passado. Como tudo é muito novo, fica difícil saber se a ideia vai dar certo. Quem vai decidir, no final das
contas, é o leitor.


