Por Ana Weiss
São Paulo, 28 (AE) - As exposições a serem inauguradas amanhã (29) à noite no Paço das Artes reúnem imagens que testemunharam o início de uma transformação que determinou os rumos das artes plásticas deste século. "A Fotografia na República de Weimar e Raoul Hausmann - Fotografias" apresentam retratos que, além de registrar a chegada do surrealismo, do dadaísmo e de outras correntes que deram forma ao modernismo, mostram a mudança do próprio conceito de imagem, a partir da ótica das chamadas vanguardas alemãs, durante as primeiras décadas até a metade do século.
A começar pelo suporte - a fotografia -, as exposições apresentam um momento em que as artes visuais começam a questionar a representação, norma vigente na produção plástica até então. A idéia da reprodução, da criação em série - que se tornou uma prática com o advento da fotografia -, colocou em cheque as noções de obra única e de autoria. Essa encruzilhada ajudou a deflaglar movimentos como o dada, cujo desdobramento em Berlim foi inaugurado por Raoul Hausmann (1885-1971).
Além da individual, o artista plástico alemão está representado na coletiva e também na interpretação de Lucio Agra de "Ursonate - Sonata Primordial", composição criada por Kurt Schwitters (1887-1948) a partir de uma colagem tipográfica de Hausmann (poema feito de fragmentos de palavras tiradas de jornais). A peça terá um trecho mostrado amanhã no Paço e será executada na íntegra de quarta-feira a sexta-feira, no Instituto Goethe.
Hausmann é tido como o criador da fotomontagem. "Que é uma continuidade moderna da colagem", acrescenta o intérprete da performance, que estuda a vanguarda russa e a alemã desde a década de 80. "A fotografia tornou-se um suporte importante entre as manifestações dadaístas porque representa a então nova semântica moderna, que também inaugurava um modo coletivo de trabalho e um intercâmbio entre as áreas", acredita Agra. "E a conexão entre a áreas de atuação assim como a coletividade são questões do período que permanecem fundamentais na arte contemporânea".
Não é à toa que, ao lado de Hausmann, a exposição traz uma coletiva dividida em temas. Contemporâneos, Urbanismo, Publicidade e As Coisas agregam trabalhos de Erst Fuhrmann, Karl Blossfeldt, Umbo e outros contemporâneos de Hausmann. "Essa reunião é interessante porque o grande público brasileiro conhece o dadaísmo francês, mas sabe pouco sobre o alemão", acrescenta Daniela Bousso, diretora do Paço das Artes, que também abrigará, no dia 1.º, uma palestra do artista plástico e professor alemão Tim Ulrichs, sobre Hausmann e o movimento a que pertenceu. Serviço - "A Fotografia na República de Weimar e Raoul Hausmann - Fotografias". De segunda a sexta, das 13 às 20 horas; sábado e domingo, das 14 às 19 horas. Paço das Artes. Avenida da Cidade Universitária, 1, tel. 211-0682. Até 26/3. "Ursonate - Sonata Primordial". Amanhã, no Paço das Artes. De amanhã a sexta, às 21h, no Instituto Goethe. Rua Lisboa, 974, tel. 280-4288. Ingressos: R$ 10,00

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