Qual a proposta do projeto ''Brasil Take a Take''?
É descentralizar a produção audiovisual do País estimulando a regionalização da produção de TV e cinema fora do eixo Rio-SP. Para isso, desenvolvemos oficinas de direção e interpretação com o objetivo de preparar as pessoas. A ideia é fornecer uma técnica a elas. O Brasil tem muitos talentos que não têm a oportunidade de mostrá-lo.

Que perspectivas você oferece para quem vive fora do eixo?
Falo das maravilhas e das dificuldades de ser ator no Brasil. Tento passar a realidade de altos e baixos da carreira, que é parecida com a do jogador de futebol: um dia ele está num time pequeno e, em outro dia, pode virar craque famoso num grande clube. Como exemplo, gosto de citar a trajetória de Lázaro Ramos e Wagner Moura, que atuavam nos palcos de Salvador (BA) e posteriormente se consagraram no Sudeste. Mas para isso, investiram no trabalho e foram atrás. Durante as oficinas, não vendo ilusões do tipo ''faça o curso e vamos fazer um teste na Globo''. Procuro quebrar a noção de artista que aparece em capa de revista.

Além do estímulo à produção local, existe a preocupação de levar talentos que se destacam nas oficinas para os principais centros da teledramaturgia?
O foco é fomentar a produção local, mas coincidentemente nesta temporada estou formando um cast de atores que participaram do projeto para gravar vídeos e em seguida apresentá-los a produtores de elenco. A intenção é dar uma empurrão para pessoas de cidades distantes que, eventualmente, não teriam condições de se deslocar até o Rio de Janeiro para fazer um teste.

Quais foram os resultados colhidos pelo projeto, que está completando quase 10 anos?
Já co-produzimos um circuito de cinema digital no sertão de Pernambuco, um programa de documentários para TV no Rio Grande do Sul, além de 15 curtas-metragens, alguns deles premiados em festivais de cinema e vídeo pelo País. Aliás, no final do curso em Londrina, vamos produzir um curta-metragem e tentar enviá-lo para alguns festivais.

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