São Paulo, 15 (AE) - Um tem o discurso funcionalista dos arquitetos. O outro, tira do mundo subaquático do inconsciente suas considerações sobre a forma e seus conteúdos. A organizadora Silvia Segall, entretanto, colocou lado a lado a obra de Paulo Segall e Arnaldo Battaglini sob o pretexto de ter um denominador comum dos trabalhos, o traço, nome da mostra que será inaugurada amanhã (16) à noite no Galpão de Design, em São Paulo.
A apropriação do desenho é a chave da exposição "Traço". Mas a idéia do título é desafiada a cada passo na exposição. Isso porque a mostra traz a união de peças utilitárias e criações românticas, representadas por tapeçarias, objetos e o que se chama de objetos-esculturas, em trabalhos que ultrapassam o esquema bidimensional do tema.
A começar pelas esculturas de Battaglini, "Traço" parece tentar desafiar o conceito do desenho, ou simplesmente brincar com o limite entre as linguagens. As grandes espirais são de fato desenhos, se vistas como linhas metálicas que ganham o espaço em movimentos circulares.
Atitude romântica - Mas a busca da psique nas formas espiraladas está presente também nas marcas do tempo que encobrem o material que as constitui. São memórias invocadas do material, como as marcas da solda, o desgaste e o tratamento a que foi submetido o metal (o cobre e o latão, no caso), que traem a idéia inicial de obra gráfica. E que reforçam a atitude romântica do artista que apresenta elementos recorrentes em sua produção, como escadas, montanhas e círculos, como sinais de abandono e isolamento.
"Até então meu trabalho se aproximava mais da gravura"
conta Battaglini, que criou para a exposição objetos feitos para a parede, como pede um espaço de exposição de design. As falsas espirais de Battaglini são, na verdade, círculos concêntricos e desarmônicos que, expostos a uma certa distância da parede, provocam o nascimento de outros desenhos, por meio da projeção de suas sombras. Criando assim uma nova obra que se faz na medida em que é contemplada. O artista chama essas peças de paisagens.
Uma de suas representações contemplativas, uma grande escultura vertical, abre a mostra ao lado de uma passadeira de Paulo Segall. "Colocamos as duas peças na abertura para apresentar, logo de cara, a conversa que existe entre os trabalhos", observa o arquiteto Paulo Segall.
Para essa apresentação, Segall criou uma tapeçaria, também vertical e com caráter eminentemente gráfico. Sem volume, esse tapete traz, sobre um fundo neutro, linhas em vários tons de cinza. Mais adiante, um grande painel traduz o poder das cores no trabalho do designer. Dividida em quatro tapetes (segmentos 1, 2, 3 e 4), a tapeçaria em náilon e buclê reúne uma única representação gráfica, em azul-marinho e ocre.
"Mas que podem ser dissociados", avisa Segall que, como arquiteto de formação, vê como grande valor de sua obra, a utilização da mesma. "Acho bonito ver os tapetes na parede, mas também é interessante que parte do painel possa virar um tapete sobre o qual as pessoas possam passar." Paulo Segall e Arnaldo Battaglini. De segunda a sexta, das 9h30 às 19 horas; sábado, das 10 às 16 horas. Galpão Design. Rua Aspicuelta, 145, tel. 814-3393. Até 16/7.Abertura às 20 horas

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