São Paulo, 18 (AE) - O Brasil deve seu nome a uma árvore. Mas essa não foi a única função do pau-brasil. Até a criação da anilina sintética, em 1826, essa madeira era o corante vermelho de melhor qualidade, apreciado pela nobreza européia e muito importante para a indústria têxtil. Por conta disso, sua extração foi realizada por quase 400 anos de forma predatória - o que quase resultou na sua extinção. Estima-se que cerca de 70 milhões de árvores tenham sido arrancadas do solo brasileiro. Hoje, há menos de 2 milhões de árvores em todo o País e poucos brasileiros a conhecem. É essa história que a exposição "Terra do Pau-Brasil", incluída no calendário oficial da comemoração dos 500 Anos, vai contar a partir de amanhã (19), no Empório Beraldin. Para reconstituir as etapas do processo de tingimento natural com o corante do pau-brasil, foi montada uma verdadeira linha de produção. Várias fotografias de Lena Trindade ilustram desde a extração da madeira até sedas já tingidas.
A especialista em corantes naturais Hisako Kawasaki foi encarregada de tingir esse tecido com várias tonalidades, mostrando as nuances que a tinta extraída do pau-brasil pode adquirir. Para finalizar, painéis de tecidos foram criados pelo tecelão Renato Imbrosi, com aplicações de bordados sobre o tema 500 Anos feitas por bordadeiras do Sul de Minas. E completando, estarão à venda almofadas, luminárias e mantas tingidas com pau-brasil. Parte da renda será doada à Fundação Nacional do Pau-Brasil (Funbrasil). Tudo isso ganhou a montagem do arquiteto Francisco de Almeida.
A madeira utilizada para fabricar os objetos foi extraída de reservas controladas pelo Instituto Brasileiro do meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "Conseguimos um pouco no Paraná, onde há extração autorizada, e no Nordeste, onde está a Funbrasil", conta Zeco Beraldin, proprietário do empório, que organizou a mesma exposição na filial da loja em Salvador. Ele ressalta que a coleção é limitada: "Tudo foi feito especialmente para a data e, apesar de haver um programa nacional de reflorestamento, não há como usar o pau-brasil em grande escala". Cerca de mil mudas serão doadas a quem visitar a exposição. Serviço - "Terra do Pau-Brasil". De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, das 10 às 14 horas. Empório Beraldin. Rua Mateus Grou, 604, tel. 210-8200. Até 20/5. Fecha na sexta.

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