São Paulo, 06 (AE) - Haverá duas grandes retrospectivas na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo deste ano. Uma delas é do cineasta japonês Seijun Suzuki, praticamente desconhecido no Brasil e que Leon Cakoff, o organizador do evento, define como "uma espécie de Carlos Reichenbach do Japão". A outra se chama "A Época de Ouro do Cinema Mexicano". Vai trazer uma seleção dos melodramas mexicanos dos anos 40 e 50.
Você sabe do que se trata: o cinema de lágrimas da América Latina, aquele mesmo que originou o filme de Nelson Pereira dos Santos realizado para comemorar o centenário do cinema. Um cinema popular, marcado pelos temas românticos, especialmente pela figura da mulher sofredora, a mãe, a amante, que quase sempre ocupa o centro desse estilo de cinema. São dez filmes, quatro dos quais fotografados por Gabriel Figueroa, um dos mais importantes iluminadores do cinema em todos os tempos. Dois são dirigidos por Emilio Fernandez, chamado de El Índio, uma das lendas do cinema latino-americano. Fernandez, com seu rebuscamento de imagem, ajudou a pôr o cinema mexicano no mapa mundial, obtendo consagração internacional justamente na época de ouro da cinematografia mexicana. Dele, serão exibidos "Salón Mexico", de 1948, e "Victimas del Pecado", de 1950. Outros diretores que também terão dois filmes na programação são Roberto Gavaldón e Alejandro Galindo. Gavaldón assina "La Otra", de 1946, e "El Rebozo de Soledad", de 1952. Galindo dirige "Una Familia de Tantas", de 1948, e Doña Perfecta, de 1950.
Os demais filmes são: "Doña Barbara", de Fernando de Fuentes (1943), baseado no romance de Romulo Gallegos, "Aventurera", de Alberto Gout (1949), e dois filmes que não se situam muito bem no chamado período de ouro. Um deles o antecipa: "La Mujer del Puerto", de Arcady Boytler, de 1933, e "Tlayucan", de Luis Alcoriza, que o sucede, pois é de 1961. Alcoriza, é bom lembrar, foi assistente do mestre Luis Buñuel no México. Todos os filmes serão exibidos em cópias restauradas pela Cinemateca do México. (L.C.M.)

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