Francelino França
De Londrina
Londrina começa a solidificar seu nome na área cinematográfica com a realização da II Mostra Londrina de Cinema, que acontece hoje e amanhã, na Associação Médica. O público poderá apreciar filmes alternativos, concebidos em linguagem fora do padrão comercial e até inspirados no cinema francês. O Super-8 continua sendo umas das formas de entrar pelo portal do mundo do cinema, em função do baixo custo, e por ser possível realizar experimentações. O cineasta Pedro Almodóvar, no início de sua carreira, registrou seu estranho e cativante modo de ver o mundo na bitola de 8 mm.
Nesta segunda edição da Mostra, 19 filmes participam da fase competitiva, originários do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná. Os filmes apresentados no evento foram produzidos em 1998 e 1999 e concorrem ao Troféu Udihara (homenagem ao pioneiro londrinense Hikoma Udihara), nas categorias melhor filme, direção, roteiro, interpretação (ator/atriz), fotografia, som e montagem. O público terá a oportunidade de eleger a produção mais interessante da Mostra. Nesse ano, o júri será formado pelo presidente da Associação de Vídeo e Cinema do Paraná (AVEC), Eloi Pires Ferreira; pelo diretor da Divisão de Cinema e Vídeo da Casa de Cultura da UEL e crítico de cinema, Carlos Eduardo Lourenço Jorge e pelo escritor londrinense Domingos Pellegrini.
Para um dos organizadores da Mostra, Caio Julio Cesaro, essa segunda edição é uma maneira de inserir Londrina no circuito da produção audiovisual. ‘‘Procuramos trazer um panorama diversificado, em relação aos temas dos filmes’’, afirma. Além disso, essa modalidade do evento acaba por estimular as iniciativas regionais e reconhecer os profissionais em início de carreira. Com a realização da II Mostra de Cinema, Londrina foi inserida no circuito nacional de eventos da área audiovisual, constando no Guia Brasileiro de Festivais de Cinema e Vídeo 2000.
Eloi Pires Ferreira, jornalista e realizador cinematográfico, membro do júri da II Mostra, analisa o atual período como uma ‘‘retomada’’ desse tipo de cinema. ‘‘A aura de experimentação que o Super-8 proporciona é mais fascinante e se caracteriza, fundamentalmente, por uma certa ousadia. É mais estimulante e isso faz a linguagem cinematográfica evoluir’’, afirma.
Os pampas gaúchos se tornaram, nos últimos três anos, um terreno fértil nessa modalidade de cinema. Em 98, foram produzidos 16 filmes, no ano passado 24. A Internet colaborou para esse ‘‘boom’’, propiciando uma intensa troca de informações sobre locais para compra e revelação de filmes. Christian Schneider, jovem publicitário gaúcho, tem em seu currículo cinco filmes em Super-8 e um em 16 mm. ‘‘O Super-8 é o cinema do aprendizado, independente, desvinculado totalmente. É uma forma honesta e sincera de se fazer cinema’’, avalia. ‘‘Exit’’, ‘‘Vida?’ e ‘‘O que é Cinema?’, direção de Christian Schneider, estão na parte competitiva da II Mostra Londrina de Cinema.
Complementando as exibições em Super-8, após a apresentação da fase competitiva, estão programadas mostras paralelas de vídeos (curtas-metragens), premiados em festivais brasileiros e produzidos originalmente em película. Destaque para os curtas ‘‘Clandestina Felicidade’’, de Beto Normal e Marcelo Gomes, sobre a infância da escritora Clarice Lispector, em Recife, 1929; e ‘‘Dov’É Menguetti’’, o melhor curta do cineasta Beto Brant, contando a fuga de um famoso ladrão anarquista, da década de 20.
II Mostra Londrina de Cinema. Hoje e amanhã, a partir das 19h30, na Associação Médica de Londrina, Praça Primeiro de Maio, Centro. Os ingressos custam R$ 3 para o público em geral e R$ 2 para estudantes com carteirinha.A II Mostra Londrina de Cinema começa hoje. Concorrem 19 filmes em Super-8 que serão apreciados também pelo júri popular
Giselle Jacques/DivulgaçãoCena de ‘‘Toque’’: um dos filmes que competem em Londrina na II Mostra de CinemaDivulgaçãoDavid Camargo adormecido em uma cena de ‘‘Vida?’’: filme trata da monotonia

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