São Paulo, 14 (AE) - O consultor de arte, aquela figura que divulga, articula, aconselha e até, de certa maneira, gerencia a trajetória de muitos artistas plásticos é personagem recente no circuito das artes. No fim da década de 30, Pietro Maria Bardi já exercia esse tipo de prática e, com isso, colaborava de maneira decisiva para o crescimento da carreira de muita gente por aqui e no exterior.
Essa faceta de consultor foi a opção do Museu Lasar Segall para uma das exposições que lembram o centenário do criador do Museu de Arte de São Paulo (Masp). "Bardi e Segall: O Brasil e os Museus" reúne principalmente documentos que narram o relacionamento entre o crítico e o artista. Alguns deles, garante Marcelo Araújo, diretor do museu, nunca mostrados ao público. A mostra apresenta também 20 obras de Segall, algumas delas do acervo que Bardi formou durante a vida com sua mulher, Lina Bo Bardi.
É o caso de "Guerra", óleo de 1942, que participa da exposição. O quadro era um dos preferidos do marchand italiano e foi doado para a coleção dos Bardis pela família de Segall. Hoje
a obra pertence ao acervo do Masp, que a emprestou para a mostra. A outra única pintura que participa da exposição é "Refugiados", aquarela de 1922, pertencente ao acervo do próprio museu.
A exposição exibe também relevos, como "Eternos Caminhantes", gesso pintado em baixo-relevo em 1929; esculturas
como o busto em mármore de Jenny Klabin Segall, sua mulher, e obras em papel, como os seis desenhos feitos entre 1940 e 1943, pertencentes ao caderno "Visões de Guerra", ou ainda a aquarela "Mãe e Filhos", de 1935.
Embora a obra seja sempre o testemunho mais interessante e vivo da história da arte, Marcelo Araújo chama a atenção sobre a exposição documental que, de fato, traz algumas provas curiosas da produtiva relação entre as personalidades. Uma carta escrita por Bardi a Segall em 1956, por exemplo, dá uma idéia de como o crítico influenciou a trajetória do pintor. Nela, Bardi aconselha o amigo, que na ocasião estava prestes a montar uma exposição em Paris, que cuide muito da montagem, uma vez que os franceses, na sua visão, não eram muito bons nisso de montar exposições. Ele também escreve que Segall apoie sua mostra nas pinturas, mas que não deixe de fora os desenhos.
"Além de cartas do jornalista a Segall e vice-versa, reunimos escritos de Bardi para outros críticos e jornalistas", esclarece Araújo. "Além de artigos deles sobre o artista, para mostrar a importância desse tipo de prática em favor da arte, muito rara naqueles tempos". Serviço - "Bardi e Segall: O Brasil e os Museus". De terça a sábado, das 14 às 19 horas; domingo, das 14 às 18 horas. Museu Lasar Segall. Rua Berta, 111, tel. 574-7322. Até 16/7.

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