Todo dia é dia de negro. Uma reflexão que a Mostra Afro-Brasileira Palmares pretende antecipar à Semana Nacional de Consciência Negra, realizada em novembro, mês em que tradicionalmente acontecia a exposição para - na 23 edição de 12 de setembro a 10 de outubro - propôr um calendário permanente de discussão sobre as questões raciais e o preconceito.
Um debate que, no Brasil, é reservado ao 20 de Novembro, dia de homenagens a Zumbi dos Palmares, o maior ícone da resistência negra, e o 13 de Maio, data da abolição da escravidão no País.
''O que acontece é que nós, do movimento negro, somente fazemos uma reflexão nessas duas datas. Queremos ampliar esse debate'', afirma o artista Agenor Evangelista, organizador da mostra que, há mais de duas décadas, resiste ao balanço das políticas públicas de incentivo à Cultura e do mecenato, sendo o único salão londrinense que consta do calendário cultural da cidade.
A mostra ocupará o espaço do Núcleo Londrinense de Redução de Danos e deve ser estendida à Campinas (SP), no mês de novembro, com data e local ainda por definir.
A exposição, que já contou com participações internacionais, como o moçambicano Felipe Branquim, no ano passado, exibirá o trabalho de 23 artistas londrinenses e três de Campinas, que ainda estão sendo selecionados.
''Do total de londrinenses, 22 são afro-descendentes e apenas um não é negro'', destaca Evangelista, lembrando que a primeira edição da mostra conseguiu reunir somente três artistas com descendência negra, o próprio Evangelista, Bhall Marcos e José Maria Frutuoso.
Diversidade de estilos, técnicas e linguagens serão apresentadas na mostra, reunindo desde artistas como Carão, grafiteiro londrinense que morou em Paris, Bhall Marcos, o fotógrafo Walter Ney e o escritor Márcio Américo, que poucos sabem que também gosta de se dedicar à pintura. Além deles, o artista Carlos Madureira, de Bela Vista do Paraíso, quejá foi menino de rua.
A mostra pretende abrir espaço também para a discussão sobre a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, Aids (DST/HIV/AIDS), tuberculose e hepatite. O evento inclui palestras com os sociólogos Maria Nilza da Silva e Luiz Mello.
''Queremos que a mostra discuta a questão do racismo e do preconceito de uma maneira cultural, que é mais sutil. Os artistas não precisam estar presos à temática negra. Respeitamos a liberdade de criação. Somente pela participação os artistas já demonstram uma valorização pelas questões do negro'', afirma Evangelista.

SERVIÇO
- Mostra Afro-Brasileira Palmares
Quando - De 12 de setembro a 10 de outubro
Onde - Núcleo Londrinense de Redução de Danos (Rua Ibiporã, 548)

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