Mostra Londrina de Cinema
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de novembro de 2009
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Uma programação de fôlego foi montada para a edição deste ano da Mostra Londrina de Cinema, que começa hoje e prossegue até 5 de dezembro com sessões em vários pontos da cidade. Mais de 80 filmes serão exibidos ao longo do festival, o mais antigo do gênero no Paraná.
A principal novidade é que, durante a Mostra, o Cine Teatro Ouro Verde volta a ser ocupado como sala de cinema. Há até um ''filme-surpresa'', guardado a sete chaves pela organização e que deverá ser exibido à meia-noite do dia 4. ''É um longa que todo mundo quer assistir'', diz Bruno Gehring, um dos coordenadores do evento.
A Mostra é promovida pela Kinoarte (Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina), com patrocínio da Prefeitura Municipal e do Ministério da Cultura. A abertura será hoje, às 20h30, no Cine Com-Tour UEL com a estréia do curta-metragem ''Maria Angélica''. O filme, escrito e dirigido pelo jornalista Francelino França (1964-2006), teve seu lançamento nacional em agosto deste ano no 20º Curta Kinoforum - Festival de Curtas Metragens de São Paulo.
Além dele, serão exibidos os curtas ''Saudade'', ''Cine-Paixão'', ''Satori Uso'' e ''Booker Pittman''. Também ocorrerá o lançamento do quarto número da revista ''Taturana'', que dedica várias páginas à produção cinematográfica do leste europeu. Destaque da Mostra, o filme ''Daniel, o Capanga de Deus'' será a atração de amanhã, às 20h30, no Cine Com-Tour UEL.
Rodado em 1978, o longa de João Baptista Reimão chega à tela em cópia restaurada, num trabalho de recuperação feito pela artista plástica Isadora Reimão (filha do diretor) com apoio da Kinoarte. O elenco traz Arduíno Colassanti, Paulo Cesar Pereio e Regina Duarte. A história gira em torno de um homem que foge da sociedade de consumo para viver de forma autônoma no campo, remetendo ao comportamento das ''comunidades alternativas'' surgidas na época.
O longa é um dos títulos do ciclo Olhar Radical, bloco da Mostra voltado para produções nacionais independentes. ''Procuramos trazer filmes não comerciais, alternativos ao circuito convencional e aos quais o público dificilmente teria acesso. Neste ano selecionamos filmes de grande qualidade'', assinala Gehring. O documentário ''Belair'', de Noa Bressane e Bruno Safadi, é um dos incluídos no ciclo.
Exibido na 33 Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme radiografa a breve vida da produtora mítica de Rogério Sganzerla e Julio Bressane. Outros títulos elencados são ''Canção de Baal'', primeiro longa da atriz Helena Ignez, premiado no último Festival de Gramado; e ''Morro do Céu'', do premiado diretor gaúcho Gustavo Spolidoro.
Já entre os títulos paranaenses reunidos na programação figuram ''O Sal da Terra'', de Eloi Pires Ferreira; ''Mystérios'', de Beto Carminatti e Pedro Merege; e ''O Fim da Picada'', de Christian Saghaard. O primeiro é um road movie com cenas rodadas na Itália e em Londrina. O segundo baseia-se na obra do escritor Valêncio Xavier e conta com nomes de peso no elenco como Carlos Vereza, Lala Schneider e Stephany Brito.
Já o terceiro título é um filme de terror que flerta com o cinema marginal. A produção do leste europeu é outro chamariz do evento, que traz entre seus destaques o longa ''Alga Doce'' (Tatarak, POL, 2009, 85 min), do polonês Andrzej Wajda.
Como ocorre desde a sua criação em 1999, a Mostra apresenta uma grade competitiva, dividida entre produções locais e nacionais. Neste ano, 19 filmes disputam a Competitiva Nacional de Curtas e sete títulos participam da Competitiva Londrinense. Os melhores filmes serão contemplados com dinheiro e com o Troféu Udihara, uma homenagem ao cineasta pioneiro Hikoma Udihara (1882-1972).
A programação de cursos, por sua vez, oferece a 4 Oficina de Crítica de Cinema e o 5º Seminário de Cinema Contemporâneo, ambos ministrados pelo crítico paulista Sérgio Alpendre, colaborador da revista Contracampo e fundador da extinta revista Paisá. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pela internet.
De hoje a terça-feira, a Mostra estará concentrada no Cine Com-Tour UEL. A partir de quarta-feira, a maioria das sessões passa para o Cine Teatro Ouro Verde. Também serão exibidos filmes no Museu Histórico de Londrina, Crystal Palace Hotel, canteiros de obras e escolas públicas localizadas em regiões periféricas do município.
Estão previstos ainda filmes de animação no Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos. Gehring explica que, ali, os títulos escolhidos contam com narrativa. ''As cenas são descritas por uma voz em off'', assinala. A exemplo dos anos anteriores, todas as sessões da Mostra são gratuitas.


