Na Escola Municipal Sebastião Feltrin, em Rolândia, o tema da consciência negra vai estar presente na II Mostra Literária – Resgatando Nossas Origens: A influência da cultura afro no Brasil, que acontece no dia 27 de novembro, a partir das 14 horas, no Auditório da Faculdade Paranaense Faccar. As outras 12 escolas do município foram convidadas a participar do evento, que terá uma série de apresentações artístico-culturais. O convite foi uma caixa de madeira com um fantoche de tecido da boneca Dandara (nome de origem africana que significa `que gosta de ser útil´) e uma coletânea de jogos africanos, confeccionados pelas professoras da escola.
Através de uma narrativa que resgata a cultura africana e a trajetória dos negros no Brasil, a encenação começa com uma apresentação dos alunos de cinco e seis anos que estarão caracterizados como animais africanos. Ao ritmo contagiante da música africana, os alunos se divertem durante o ensaio. Já os alunos maiores, sob a orientação da professora Sílvia Pessoa, estão preparando uma coreografia de maculelê, um tipo de dança de origem africana que simula uma luta tribal usando como arma dois bastões.
Dentro de uma linha do tempo histórica, o navio negreiro marca a vinda dos negros para serem escravizados no Brasil, com as crianças se dividindo entre escravizados e escravagistas. Até que chega o momento da abolição da escravatura, no dia 13 de maio de 1888, anunciada pela Princesa Isabel, interpretada pela professora Silvia Adriana.
Poesias, danças, músicas, informações culturais sobre a África e um desfile com roupas típicas irão fazer parte das atrações do evento. A escola também realizou uma pesquisa sobre jogos de origem africana, que incluem as brincadeiras de pular corda, elástico, Cinco Marias e Escravos de Jó.
Considerado o "pai dos jogos", com registro da sua prática há cerca de 7000 anos, o Mancala ou Oware (que faz parte do material didático do Projeto Mente Inovadora aplicado na escola) é um jogo de raciocínio lógico-matemático que está sendo praticado pelas crianças. No final da mostra literária, os convidados irão receber um kit com o tabuleiro do jogo feito de caixas de ovos e sementes de girassol, além de um folheto explicativo sobre a origem e regras do jogo.
Em um grande trabalho coletivo, o evento está movimentando toda a escola. A professora Loreane Stefanon, que junto com a professora Vanessa Regina Ciola Ribeiro está responsável pela coordenação geral da mostra, conta que há três anos sentiu a necessidade de enfatizar a questão da diversidade até como forma de trabalhar a autoestima dos alunos. "Eles têm dificuldade de se aceitar como são e ainda enxergam o negro como alguém inferior. Precisamos sempre trabalhar a aceitação e o respeito", avalia.
"Sinto que neste ano os professores estão mais seguros para trabalhar com essa temática e mais conscientes sobre a sua importância. Não podemos ficar só na ‘transmissão de conhecimento’, precisamos investir na formação do cidadão", ressalta a diretora Elaine Fernandes Possani. (A.P.N.)

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