Mostra fotográfica abre o 'Ano do Brasil na França'
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
Eder Chiodetto<br> Folhapress 
Coube a Oscar Niemeyer e às formas de Brasília, ícone do movimento moderno e obra máxima do arquiteto, inaugurar a ponte que celebrará a cultura brasileira em mais de 450 diferentes atividades durante este Ano do Brasil na França. Ontem, foi oficialmente aberta a mostra fotográfica ''Brasilia: Une Metaphore de la Liberté'' (Brasília, uma metáfora da liberdade), dos fotógrafos Jair Lanes, 37, e Alberto Ferreira, 72, na Maison des Amériques Latines, em Paris.
Desde sua inauguração, em 1960, Brasília atrai artistas, estudantes de arquitetura e fotógrafos de todo o mundo que querem presenciar os volumes e os vazios daquilo que, segundo Paola Antonelli, curadora de arquitetura e design do MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), ''é a realização mais dramática da grandiosidade e do narcisismo do movimento moderno''.
Para o curador da mostra e diretor da Maison des Amériques Latines, o brasileiro Luiz Ferreira, a escolha de Brasília como tema para iniciar o ''Ano do Brasil na França'' se deu ''porque a cidade representa nosso país no seu aspecto contemporâneo, voluntariamente voltado para o futuro.
A ''cidade saída do nada'' pode ser percebida melhor nas imagens de Alberto Ferreira, enquanto o ''aspecto contemporâneo'' está mais fluído no trabalho de Lanes. Alberto Ferreira, que em 1960 trabalhava no ''Jornal do Brasil'', foi um dos muitos fotógrafos que acorreram ao Planalto Central para documentar o reluzente nascimento da cidade feita de concreto e vidro em meio ao cerrado. ''O Silêncio das Formas'' é o título do extenso ensaio realizado por Jair Lanes durante várias visitas à cidade. O uso de uma câmera polaróide acrescida de filtros coloridos colocados na frente da lente, além do uso deliberado do desfoque, remete o conjunto das imagens à tradição da fotografia pictórica, na qual há uma busca de confluência dos conceitos da própria fotografia com a pintura. Trata-se de uma visão lírica sob a qual as formas desenhadas por Niemeyer têm seus contornos esmaecidos e perdem a solidez do concreto. É como se Lanes partisse não da obra acabada do arquiteto, mas sim dos desenhos da sua prancheta. O uso dos filtros coloridos cria uma atmosfera falsa, uma luminosidade estranha que reforça ainda mais o impacto de Brasília como uma cidade ''saída do nada'', como assinala o curador, ou mesmo como uma cidade-maquete.


