Mostra faz a volta ao mundo em 372 curtas
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terça-feira, 17 de agosto de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 18 (AE) - Ela nunca quis dirigir filmes. Prefere "armar o circo", como diz. Adora pensar um projeto e torná-lo viável trabalhando em estreita colaboração com o diretor. Zita Carvalhosa tem alma de produtora. O que ela dirige
já há dez anos, é o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. A maratona vai começar, mais uma vez. Sempre escudada pelo fiel Francisco César Filho, o Chiquinho, Zita convoca o cinéfilo paulistano para a grande festa do curta. Começa amanhã para convidados (às 21h30 no Cinearte) e na sexta para o público em geral. Não apenas mais um festival de curtas, mas o maior festival do formato na América Latina e um dos cinco maiores do mundo.
Dez anos, sete dos quais com patrocínio da Enterpa Ambiental, que responde com 60% do custo do evento. Zita, que organiza o festival por meio da Kinoforum, associação sem fins lucrativos que também responde pelo festival internacional de documentários É Tudo Verdade, não cita exatamente o valor do evento porque diz que muita coisa é conseguida por meio de apoio. É difícil contabilizar um custo real e outro deduzido desses apoios. Nesta data tão significativa, ela prefere revelar qual é o conceito do 10.º Festival Internacional de Curtas: olhar para trás, por meio de uma retrospectiva que faça a síntese dos nove anos anteriores, e apontar para o futuro por meio de uma programação (com curadoria de Bruno Viana) que privilegia o cinema digital. De olho na herança do passado, mas com as antenas no futuro, Zita antecipa os destaques que o público poderá ver até dia 28 em oito salas (Museu da Imagem e do Som, Estação Vitrine, Espaço Unibanco, Centro Cultural São Paulo, Museu Lasar Segall, A Hebraica, Faap e Aeroporto de Cumbica).
Marca recorde - Haverá um programa especial dedicado a Orson Welles, seleções de curtas da novíssima geração da Coréia e da revista francesa Bref, a mais importante do mundo no formato, mostras dedicadas a diretores como o animador americano Bill Plympton e o experimentador alemão Jochen Kuhn e ainda ao curso de cinema da Columbia University. Programas para ninguém botar defeito: são 372 curtas (marca recorde), representando 52 países. Cerca de 70 agrupados na retrospectiva intitulada Foco - A Década do Cinema e os 300 restantes divididos em seções. Justamente a abrangência da programação e o cuidado da curadoria valeram o reconhecimento internacional para o festival de São Paulo. Há uma seleção brasileira, outra latina e a internacional. Pelo menos a metade do total de curtas (150) é novidade absoluta, filmes que apontam o que de mais novo se faz no formato. Uma seção especial chamada Brasileiros no Exterior vai mostrar cinco curtas nacionais produzidos fora do País.
Zita comenta um pouco a evolução desses dez anos. Quando o festival começou, o cinema brasileiro quase não existia. Não havia produção de longas e o pouco que se fazia no País era no formato curta, que virou uma espécie de vitrine da produção. Os curtas também passavam nos cinemas. Eram o território por excelência do exercício pessoal e da experimentação. A nível mundial, a situação não era muito diferente. Hoje, há um reconhecimento maior para o curta, em todo o mundo. O Brasil retomou a produção de longas sem abandonar o formato. Foram inscritos para a mostra deste ano 108 curtas nacionais realizados nos últimos 12 meses. Desses, foram selecionados 66 para integrar a seção Panorama Brasil.
No mundo todo, celebra-se uma parceria do curta com a TV que levou até mesmo à modificação do formato. Antigamente, os curtas eram curtas mesmo, desenrolando-se em torno de dez minutos de duração. Hoje, há cada vez mais curtas de uma duração maior, com mais de 20 minutos. Para selecionar os curtas que vai mostrar, Zita e seus representantes visitam diversos festivais ao redor do mundo. São mostras como as de Sundance, Clermond Ferrand, Chicago Latino, Hamburgo, Cracóvia, Vila do Conde, Drama (na Suécia) e Valência. Na América do Sul, visita os festivais de Buenos Aires e Santiago. Dessa verdadeira volta ao mundo ela garimpa as pérolas da seleção. Serviço: A partir de 20/8 10.º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. Grátis. Até 29/8. Patrocínio: Enterpa Ambiental. Co-patrocínio: Secretaria para o Desenvolvimento do Audiovisual/Ministério da Cultura, Secretarias de Estado e Municipal de Cultura. Apoio: Prefeitura de São Paulo. Organização: Associação Cultural Kinoforum. Co-promoção: Sesc São Paulo
Aeroporto de Cumbica - Auditório da Infraero (Av. Hélio Schmidt
s/n.º. 6445-2945) - às 17h30, 18h30 e 19h30. Patrocínio: Varig Brasil.
Centro Cultural São Paulo - Sala Lima Barreto (R. Vergueiro, 1.000. 3277-3611) - às 19 e 21 horas.Até 29/8.
Cineclube Vitrine (R. Augusta, 2.530. 853-7684) - às 15, 17, 19 e 21 horas. Até 27/8.
Espaço Unibanco - Sala 4 (R. Augusta, 1.470. 289-4792) - às 15
17, 19 e 21 horas; sexta e sábado, também às 23 horas. Até 26/8.
Faap (R. Alagoas, 903. 3662-1662) - de 23 a 27/8, às 11 horas
A Hebraica (R. Hungria, 1.000. 818-8888) - dias 28 e 29, às 18 e 20 horas.
MIS - Auditório (Av. Europa, 158. 852-9197) - às 16, 18, 20 e 22 horas. Até 28/8.
MIS - Sala Sony (Av. Europa, 158. 852-9197) - de 23 a 18/8, às 17, 19 e 21 horas.
Museu Lasar Segall - Sala Salles Gomes (R. Berta, 111. 574-7322) - sábado e domingo, às 18 e 20 horas


