Los Angeles, EUA - O mágico Harry Houdini (1874-1926), mestre das fugas espetaculares, foi também um manipulador exímio das massas e da imprensa no começo do século 20, como mostra uma exposição no Skirball Cultural Center, em Los Angeles, repleta de fotografias, vídeos e artefatos.
Pendurado de ponta-cabeça, amarrado numa camisa de força, ele é rodeado por mais de 80 mil pessoas numa imagem da Times Square, na Nova York de 1915. Em outra, é algemado de cueca, trancado numa caixa de madeira e jogado ao rio.
Para cada uma dessas façanhas ao ar livre, Houdini chegava cercado de jornalistas ou, melhor, organizava suas performances na frente da sede dos jornais. Uma vez, levou o próprio repórter policial para dentro da prisão da qual planejava escapar.
Houdini se mudou ainda criança, em 1878, de Budapeste para o interior dos EUA por causa do pai, um rabino. Adolescente, fugiu de casa com o circo, mas voltou. Em 15 anos, passou de artista que fazia US$ 30 por semana e 14 shows por noite ao astro de ''vaudeville'' mais bem pago do mundo.
''Suas fugas de objetos mundanos, como algemas, correntes e baús, tiveram ressonância aos que procuravam libertação de opressão política, ética, religiosa'', diz a curadora do Skirball, Brooke Kamin Rapaport.
Uma camisa de força e um latão de leite que ele usou (para ser trancado dentro com água) estão na exposição, assim como um barbante cheio de agulhas -que ele engolia- e cartazes coloridos de seus shows.
Alguns deles mostram o período em que Houdini se dedicou a desmascarar fraudes de centros espíritas, em voga nos anos 1920.
O culto a Houdini é apresentado pelas obras de artistas atuais, como um retrato de Vik Muniz e um trecho do vídeo ''Cremaster 2'', de Matthew Barney, no qual o escritor Norman Mailer (1923-2007) interpreta o mágico.
Astro de alguns filmes e tema de vários outros, a exposição corrige uma das produções de Hollywood, ''Houdini'' (1953), estrelado por Tony Curtis. Segundo o filme, o mágico teria morrido tentando sair de uma ''cela de tortura aquática'', cuja réplica está exposta -a original se perdeu num incêndio.
Seu final, aos 52 anos, em 1926, foi mais banal: morreu de peritonite, após levar socos de um estudante na região do apêndice.

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