São Paulo, 12 (AE) - A fotografia vem sendo cada vez mais cultuada e adotada como uma das formas de expressão preferidas dos artistas contemporâneos. Mas o interesse crescente pela técnica ainda não se mostrou suficientemente forte para criar no Brasil e dinâmico mercado de compra e venda desse tipo de expressão artística. Para despertar o interesse de colecionadores e mostrar as inúmeras atrações - não apenas estéticas, mas financeiras -, o curador e marchand João Pedrosa concebeu uma série de exposições comerciais em várias cidades do País. A primeira e mais abrangente delas será inaugurada amanhã (13) à noite na Galeria Luisa Strina. Depois será a vez de Vitória, Belo Horizonte, Florianópolis e Porto Alegre.
São mais de 70 trabalhos, adquiridos por Pedrosa ao longo de dez anos ou cedidos por outras galerias de arte contemporânea da cidade. Grosso modo, as obras podem ser divididas em dois grupos distintos, separação evidenciada pela montagem da mostra. De um lado estão as fotos vintage - cópias de época -, em sua maioria de autores anônimos. Apenas um ou outro trabalho é assinado por mestres como Marc Ferrez (o trabalho mais caro da mostra é vendido por R$ 5 mil) ou por Geraldo de Barros. Nessa seleção há momentos especiais, como a contraposição de duas fotos mostrando o Empire State Building e o paulistano Martinelli sendo construídos, nas quais Nova York e São Paulo parecem cidades bastante pacatas e tímidas.
Segundo o colecionador, o critério para a escolha foi a preocupação com a modernidade contida em cada uma das imagens. O capítulo dedicado à foto contemporânea é maior e, por incrível que pareça, reúne trabalhos em geral mais bem avaliados. "Isso é porque os contemporâneos normalmente trabalham com peças únicas, como se estivessem vendendo uma pintura", explica Pedrosa. Nessa seleção estão representados diversos estilos, do fotojornalismo à moda, da publicidade à foto de arte, mesclados de forma bem aleatória. "Quis recriar na galeria a parede do colecionador, essa coisa cumulativa", explica Pedrosa.
Grande número de artistas está representado na mostra, com seus melhores trabalhos. Pedrosa faz questão de ressaltar que sempre procurou consultar o fotógrafo quando ia adquirir uma obra, não se fiando apenas no seu gosto pessoal. Talvez isso explique a enorme variedade desse painel, que inclui retratos como o de Paloma Picasso feito por Mario Testino (único estrangeiro do segmento contemporâneo) ou fotos derivadas do mundo da moda, como a série de mulheres nuas tentando escapar de recipientes que lembram tubos de ensaios, realizada por Bob Wolfenson para seu próximo livro.
Há também grande presença de fotos sobre o nada. "É como se, ao tentar evitar um tema, as pessoas acabassem transformando o não-tema em objeto das fotos", observa Pedrosa. Serviço - "Fotocolecionismo". De segunda a sexta, das 10 às 20 horas; sábado, das 10 às 14 horas. Galeria Luisa Strina. Rua Padre João Manuel, 974, tel. 280-2471. Até 31/7.

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