Mostra é apenas uma pequena
parte do acervo de Ohara
O Filo presta uma justa homenagem ao fotógrafo Haruo Ohara, no ano em que se festejam os 90 anos de imigração japonesa no Brasil. Mais do que isso, traz à tona um raro acervo de fotos de um artista cuja família é pioneira na cidade: seu pai, Massaharu, foi o primeiro comprador de lotes da Companhia de Terras Norte do Paraná, em Londrina, em 1930.
A exposição Olhares, inaugurada hoje, é a primeira mostra individual do fotógrafo e uma pequena parte de seu acervo de mais de 12 mil fotos em preto-e-branco. Ohara, que nasceu em Kochi (ilha de Shikoku, Japão) e desembarcou com a família no Brasil em 1909, começou a fotografar no ano de seu casamento, em 1934.
Como era lavrador, registrou infinitas imagens no campo, para onde levava a câmera junto com o tripé, a enxada e a plantadeira manual. Nos anos 50, participou intensamente das reuniões do Foto Clube de Londrina, onde tinha como ‘‘mestre’’ o fotógrafo José Juliane. Nessa época, teve muitos trabalhos incluídos em mostras coletivas que circularam por salões internacionais na Europa.
Haruo improvisava seu laboratório num cubículo debaixo da escada. Conversador e brincalhão, era ali que se enfurnava quando não estava de papo para o ar com amigos ou capturando flagrantes na rua com sua inseparável câmera. Seu último trabalho data de 94, quando fez uma catalogação das flores das ruas de Londrina numa série de fotos coloridas.
‘‘Ohara, porém, sempre preferiu fotografar em preto-e-branco’’ - conta o curador da atual exposição, Rodrigo Garcia Lopes. ‘‘Ele dizia que as fotos coloridas desbotavam com o tempo, além de exigirem a revelação em laboratórios alheios, o que ia contra seu espírito metódico que o fazia passar horas ampliando as fotos.’’
Leia mais sobre o Filo na página 3.

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