São Paulo - E o Troféu Bandeira Paulista como melhor longa de ficção da 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo foi para o filme do Cazaquistão "Lições de Harmonia". A premiação aconteceu na quinta-feira, no Cinesesc.
Apesar do título, é muito mais um exercício de desarmonia, sobre o estado de desordem do mundo. O diretor Emir Baigozin aborda conflitos numa escola. Um garoto é humilhado pelos colegas, especialmente por um, que a todos explora. Ele é morto e há uma investigação. Baigazin trabalha no registro da ambiguidade e não deixa claro se foi o protagonista quem matou. É um filme rigoroso, forte, e os atores - os garotos - são bons.
Melhores ainda são os jovens atores de outro longa, latino, que ganhou uma menção do júri internacional e o prêmio da crítica. "La Jaula de Oro", de Diego Quemada-Diez, do México, já havia recebido um prêmio do júri de Cannes, na mostra Un Certain Regard, justamente por seu elenco. O diretor foi assistente de Fernando Meirelles em "O Jardineiro Fiel" e trabalhou com a preparadora de elenco brasileira Fátima Toledo. É sobre jovens que caem na estrada em busca de um sonho - emigrar para os EUA. À reportagem, Quemada-Diez disse que seu objetivo foi humanizar a figura do imigrante, tão demonizado, em tempos de crise, na Europa e na 'América'. Com certeza, logrou seu objetivo.
O prêmio de documentário, segundo o júri e o público, foi para "Plano para a Paz", de Carlos Aguiló e Mandy Jacobson, da África do Sul, sobre o negociador da libertação de Nelson Mandela e o fim do apartheid.
A melhor ficção, também pelo voto do público, foi "Pais e Filhos", de Hirokazu Kore-eda. O filme foi premiado pelo júri de Cannes, em maio, e o próprio presidente daquele júri, Steven Spielberg, adquiriu os direitos de refilmagem. Pais e Filhos foi pré-indicado pelo Japão para concorrer ao Oscar. Conta a história de dois casais cujos filhos foram trocados no hospital e, agora, para fazer a coisa certa, os pais destrocam as crianças, com toda a dor daí decorrente. O prêmio da Juventude foi para "Vai, Eddy", de Gert Embrechts, da Bélgica.
Renata Almeida e seus colaboradores lograram uma grande Mostra, impecável no resgate histórico - com as retrospectivas de Stanley Kubrick, Yasujiro Ozu, Eduardo Coutinho e Lav Diaz - e marcante na seleção que, fiel ao espírito do criador do evento, Leon Cakoff, privilegiou obras mais independentes e alternativas.

mockup