A arte pop surgiu numa época onde o comércio americano ganhou dimensão. Warhol foi um dos artistas que na época melhor soube colocar essas mudanças na sociedade. Bens de consumo como refrigerantes e as famosas latas de sopa Campbells viraram obras de arte, através das pinceladas inteligentes do artista. De sua imaginação as coisas mais simples da cultura de massa ganharam uma outra vida.
No entanto, a exposição que agora chega a Curitiba mostra uma faceta diferente da que o imortalizou. Traz um ângulo aparentemente inusitado da obra de Andy Warhol. Nela o público não verá artistas hollywoodianos e sim uma parte poética do criador.
A acidez visual dá lugar a um universo de cores e de figuras da natureza. São campos floridos, que estavam distantes fisicamente de Warhol mas que lhe vieram à mente através de recorte de revistas. De certo foi um momento de fuga da massificação, que ele mesmo ditou em grande parte de sua vida. Ou talvez tenha sido uma simples brincadeira do mito. O resultado da mostra de serigrafias foi todo obtido através de apropriações fotográficas.
A série de gravuras ''Flowers'' vem de telas pintadas por Warhol entre 1964 e 1965. A flor em questão é um dos tipos mais comuns de hibisco, hoje uma espécie em extinção. Ao multiplicá-la em sua obra o artista buscou uma massificação com teor de poesia em cima da sobrevida da planta. Com a mesma intenção, Wahrol multiplicou águias americanas, espécie também quase em extinção.
A artificialidade da obra serviu como dramatização de uma questão crítica da civilização moderna. Cultuando bens que o homem tinha em proliferação e conseguiu eliminar, o artista bate numa questão que hoje vem sendo um dos grandes desafios do homem: reconstruir o que destruiu. O mundo artificial tão bem retratado é o responsável pela extinção de objetos que, num momento de sua carreira, Wahrol resolveu homenagear.
Com uma mão pesada nessas obras, ele deixou claro que o observador estava vendo com olhos vivos o que estava acontecendo com o mundo. Em ''Flowers'' há um descarrego de tintas. Com uma só base ele criou diversas serigrafias coloridas. Uma das técnicas usadas foi a da impressão por último, deslocando com suavidade a cor que deveria estar no fundo. Outra é a saturação de tinta até quase o limite de transformar a forma em mancha. Há harmonias e contrastes tonais jogados com habilidade.
''Espécies em Extinção'' traz valores gráficos e mostra a intimidade que o artista tinha com o desenho. Ele mesmo disse sobre esta série que eram ''animais com maquilagem''. Ao criar um contraste entre o natural e o artificial Wahrol, quase que por encanto, garantiu vida longa aos objetos que serviram como base de sua apreciação e de sua criação.(A.C.G.)

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