O passado e o presente do movimento negro londrinense, os veteranos e a nova geração das artes plásticas, nos 120 anos da abolição da escravidão no Brasil, se encontram na 23Mostra Afro-Brasileira Palmares, que será aberta hoje, às 20 horas, no Núcleo Londrinense de Redução de Danos, onde fica até o dia 10.
Bhall Marcos, mesmo sendo um veterano da mostra - ele participou da primeira edição - é praticamente um estreante na xilogravura. Ele dividirá o espaço com artistas jovens, como o grafiteiro Tadeu Roberto Fernandes de Lima Júnior, o Carão, e Jéssica Santos.
A exposição reúne pinturas, desenhos, grafites e fotografias, e vai além do debate racial, discutindo também a diversidade, até pelo espaço em que a Mostra está sendo realizada. O Núcleo Londrinense de Redução de Danos presta atendimento jurídico e psicológico a usuários de drogas.
Apesar de tradicional, a Palmares não conseguiu romper com algumas dificuldades, que refletem no número de expositores. Dos 23 artistas convidados, apenas 16 confirmaram participação. ''Alguns disseram que não tinham material para produzir a tempo. Outros não acreditaram no evento'', afirma Agenor Evangelista, organizador da exposição, que este ano deve ser estendida a Campinas (SP).
Entre os participantes estão Márcia Dermindo, Toninho Luz, Flávia Zeferino,
Marcos Costa, Lillian Kelly, José Luiz da Silva, Katia Borges, Wilson Lima, Daniella Araújo, Wilson Tavares e o próprio organizador, Agenor Evangelista.
Para Bhall Marcos, a vigésima terceira edição da mostra representa a evolução da própria arte londrinense. Ele participa com três xilogravuras. Uma das xilogravuras é ''Descanso da Nega''. Apesar do longo namoro, a técnica é recente na obra do artista, que já produziu 60 gravuras.
Carão fará uma intervenção. O artista, que já grafitou em Paris, onde morou, ficou satisfeito em poder levar a arte de rua para o evento. O fotógrafo Walter Ney também participa da exposição com três fotografias em preto-e-branco, que fazem parte de uma série de imagens produzidas em Alcântara, no Maranhão. ''Na cidade fundada pelos portugueses tem ruínas da época da escravidão. Escolhi três imagens bastante representativas: o Pelourinho, o mercado onde os negros eram vendidos e um senhor negro confeccionando um cesto'', comenta.
Essa mesma diversidade também está na programação paralela, que entre os eventos terá apresentações da Cia Cristal, com o espetáculo ''Flores e Cantigas''; roda de capoeira com o grupo Maculelê; street dance com o Giro Alto, do Jardim Monte (Zona Leste), dança de salão com Espaço Latino; Braguinha e Banda Sambaguidum, entre outros.
Também haverá um círculo de palestras no Núcleo Londrinense de Redução de Danos. Dia 16, às 20 horas, a socióloga Maria Nilza da Silva abordará o tema ''O Negro na Universidade''. Dia 17, no mesmo horário, o sociólogo e poeta Luiz Melo irá discurtir ''A Herança de Zumbi''.
Como manda a tradição, na abertura da mostra, será servido o famoso caldinho de feijão com uma cachacinha. Os visitantes também ganharão kits com cinco peças de cerâmica. A realização é do Movimento de Estudo da Cultura Afro-Brasileira (M.E.C.A.B) e Museu de Arte de Londrina (MAL).


Programação Paralela

- Círculo de palestras
- Dia 16 -''O Negro na Universidade'', socióloga Maria Nilza da Silva
- Dia 17 - ''A Herança de Zumbi'', sociólogo e poeta Luiz Melo
Onde - Núcleo Londrinense de Redução de Danos, Rua Ibiporã 548, 20h
- Cia Cristal, espetáculo ''Flores e Cantigas''
- Maculelê, mestre Pedreiro e amigos, apresentação de capoeira
- Giro Alto, street dance
- Espaço Latino, ''Sambar''
- MC Rei, discotecagem black music
- Apresentação Wagner Nogueira e Ângela, show ''Cantos Negros''
- Banda Gafanhotos Blindados
- Lançamento do CD ''Forte Aliança'', da Fábrica do Medo - Hip Hop, de Cambé
- Braguinha e Banda Sambaguidum, com show ''Cantos de Negritude''
Quando - Dia 23, 20h30
Onde - Bar Etc & Taus (Avenida JK, 3.622)

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