Paulo BoniOrnamentaçãoCartazes alusivos ao aniversário estão por toda a cidade, principalmente nos pontos turísticos de Moscou. Ao fundo, a Catedral de São BasílioMoscou completa 850 anos em setembro. No comércio, a maioria das sacolas e vitrines da Avenida Verskaia, um dos principais corredores de compras da cidade ao lado da Rua Arbat, exibem o logotipo da comemoração, um escudo com São Jorge, o padroeiro do país. As marcas de desleixo do aeroporto doméstico da capital russa, que perde em higiene e conservação para muitas rodoviárias nordestinas, contrastam com a riqueza do acervo arquitetônico e artístico da metrópole. O fato é ainda mais inacreditável ao saber que a cidade, de 10 milhões de habitantes, recebe, diariamente, 3 mil visitantes (incluídos estrangeiros e turistas das ex-repúblicas que compunham a União Soviética, segundo dados oficiais).
Embora desconfortante, essa primeira visão não diminui o brilho das muitas belezas de Moscou, cortada pelo rio de mesmo nome. A cidade, com 900 km2, é bastante arborizada. Além de inúmeras alamedas de álamos, há imensas áreas verdes, como o decantado Parque Gorki, e centenas de praças.
Na capital moscovita, todos os caminhos levam ao Kremlin (sede do governo russo) e à Praça Vermelha. Área amuralhada em forma de triângulo, a fortaleza (kremlin, em russo) protege o berço histórico da cidade, onde tudo começou em 1147. A fortaleza é obra de Ivã III, o Grande, erguida em 1485. Tem 2,5 km de extensão, 6 metros de altura e 19 torres. O colar de tijolos vermelhos tem pérolas raras, as catedrais, que conferem a Moscou o título de Terceira Roma depois da italiana e de Bizâncio (Istambul). Centro de difusão do cristianismo entre os povos eslavos, já em 1492 a capital da Federação Russa tinha status religioso assegurado. No Novo Cânone, o metropolita ortodoxo Zózimo escreveu: ‘‘Duas Romas caíram: Moscou é a terceira; não haverá nunca uma quarta’’.
Luxo e esplendor Antes de conhecer as catedrais, a primeira parada dessa peregrinação é no Museu da Armaria, com nove salas em dois andares. Um conselho: diante do que está exposto, mantenha pelo menos uma mão rente ao rosto. A beleza das peças reunidas é de derrubar o queixo. Tudo ali é superlativo. Jóias belíssimas, ícones antiquíssimos, trajes preciosíssimos... Haja ‘‘íssimos e íssimas’’. São porcelanas, samovares, ovos de Fabergé, tronos de diamantes e marfim, carruagens, espadas, brasões e ouro (muito ouro) e prata, além de pedras preciosas. Luxo e esplendor elevados à mais alta potência.
Uma das peças mais antigas da Sala dos Tecidos é uma paramenta do século 14 para Pedro, patriarca da Igreja Ortodoxa, confeccionada com fios de ouro e prata e enriquecida com centenas de pérolas de água doce. Outros manequins exibem vestidos inteiros das czarinas Catarina e Elizabeth, igualmente ricos, além de outros trajes ornamentais que vestiram , com pompa e circunstância, a corte russa.
Logo adiante, a Praça Sobornaia (das Catedrais) abriga as famosas igrejas ortodoxas. A da Assunção é a mais importante delas, com afrescos e ícones no interior, do chão ao teto. As cúpulas arredondadas das igrejas são tão douradas quanto o sol de verão, reluzem e encantam. Nos templos ortodoxos, a atmosfera beira o mágico, graças à quantidade de incensos e aos cantos, presentes em todos os cultos religiosos. Antes do advento da perestroika, apenas 16 templos ortodoxos estavam abertos em Moscou. Agora são 200.

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