Mosaico psicanalítico
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de novembro de 2010
Márcio Maio<br>TV Press 
A intenção do diretor e roteirista Luiz Fernando Carvalho é exaltar as questões atemporais da psicanálise com uma estética multicolorida em ''Afinal, O Que Querem as Mulheres''. Por isso mesmo, a nova série da Globo, que estreia no próximo dia 11, às 23h30, mistura tons fortes e vibrantes com um visual ora ''non sense'', ora até lúdico - com direito à máscara de bobo no ator Michel Melamed e uma animação do Sigmund Freud, pai da psicanálise e autor da célebre e nunca elucidada pergunta que dá nome ao projeto.
''Como a história se passa principalmente em Copacabana, no Rio, há um excesso de cores das mais diversas fontes, sejam as luminárias de lojas, sinais de trânsito ou outdoors'', explica o diretor, que também assina o texto final do programa.
Na trama, narrativas com diálogos curtos, influenciadas pela linguagem das redes sociais da atualidade. ''Entendo que este seja mesmo o espírito da época, a pós-modernidade. Todos esses atravessamentos diários, as 'zil' conexões se sobrepondo, dialogando... Um discurso mais humano, caótico, próximo do que sentimos e pensamos'', filosofa o protagonista Michel Melamed, que interpreta o escritor e psicólogo André.
A série conta com seis episódios, sempre às quintas, e seu ponto central é justamente o personagem André. Tudo começa a partir de sua tese de doutorado, que tenta responder a pergunta de Freud que batiza a produção. Para isso, o rapaz se aventura em pesquisas e colhe depoimentos das mais diversas mulheres.
De tão envolvido nessa busca, não percebe que tanto esforço deixa de lado a bela Lívia, de Paola Oliveira, sua namorada há mais de cinco anos. Uma personagem que explora Paola pela primeira vez sem o visual de ''princesa'' característico de suas aparições no ar - como a heroína Sônia, de ''O Profeta'', e a vilã requintada Verônica, de ''Cama de Gato'', por exemplo. ''Como temos diálogos curtos, a aparência ganha um peso maior. E também a forma como a personagem se mostra. Gravei com as mãos sujas de tinta e no meio da chuva, toda molhada'', analisa Paola, que vive uma artista plástica na série.
As gravações foram realizadas com o revezamento de duas câmaras digitais de alta definição. A primeira, a Arri D21, já foi usada por Luiz Fernando Carvalho em ''Capitu'', e foi a que mais ''deu expediente'' neste projeto. Já as cenas noturnas, em condições de pouca luz, foram rodadas com a Arri Alexa, estreante no Brasil. A qualidade, o diretor garante, compensa toda a atenção dedicada aos mínimos detalhes transmitidos por elas. ''Necessariamente, todo mundo que trabalha com 'high definition' tem de se empenhar mais nos acabamentos, maquiagens, luz e cenários'', minimiza.
Outro ponto tratado com o máximo de cuidado pela equipe é a inserção de um boneco animado em ''stop motion'', introduzindo Freud na trama e fortalecendo o estado de delírio de André. As expressões mudam com a troca das 10 testas, 21 bocas e 20 mãos confeccionadas para o boneco, que mede 40 centímetros de altura.
- Afinal, O Que Querem as Mulheres - Estreia quinta, às 23h30, na Globo


