Quem busca apenas diversão quando vai a uma videolocadora deve ficar longe da produção mexicana ''Amores Brutos (''Amores Perros'', 2000), que concorreu, neste ano, ao Globo de Ouro e Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de ter sido recebido com um certo entusiasmo nos festivais de Sundance, Cannes, Tóquio e Edimburgo. Na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo recebeu o prêmio da Crítica e foi um recordista de bilheteria no México.
''Amorres Perros'' que literalmente significa ''amores cachorros'' é uma experiência antropológica sobre uma cidade de 21 milhões de pessoas, sendo que a maioria vive na periferia. Existem 85 grupos armados no controle do cartel de drogas nos 19 estados mexicanos e a corrupção anda solta, mas paradoxalmente, a cidade é linda e fascinante. O filme é fruto desta contradição, um pequeno reflexo barroco do complexo mosaico da cidade e seus habitantes.
O longa marca a estréia do cineasta González Iñárritu na direção e narra a história de três personagens distintos. O jovem Octavio que é apaixonado pela cunhada e ganha dinheiro usando seu cão Cofi num clube clandestino de briga de cachorros; a modelo Valéria que namora um homem casado e Chivo, um professor universitário que abandona profissão e família para de tornar matador de aluguel e que vive em um barracão abandonado rodeado de cachorros. Chivo é o retrato do desencanto e da amargura.
''Amorres Brutos'' gira em torno de um acidente de carro que envolve os três personagens e o cão Cofi, este último funciona como veículo de reconciliação de Chivo com seu passado. Um filme perturbador, instigante e sedutor.
Lançamento da Europa: Duração: 153 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
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Reprodução
Filme tem um desfecho decepcionante
Rios Vermelhos
Uma mistura de thriller e suspense, ''Rios Vermelhos'' traz a marca do diretor Mathieu Kassovitz, que surpreendeu o Festival de Cannes de 1997 com o filme ''Ódio'', levando a Palma de Ouro de Melhor Diretor. Depois ele fez o mediano e ultra-violento ''Assassinos'' que passou despercebido da crítica. Agora volta com mais uma produção meia-boca. ''Rios Vermelhos'' mistura eugenia, troca de bebês em maternidade e uma universidade que funciona como fachada de um laboratório para se criar uma raça superior: mentes sã em corpos são.
Com belas tomadas de cenas rodadas num pequeno vilarejo no interior da França, o filme traz Jean Reno como o oficial Pierre Niemans que chega à cidade para investiar o assassinato de um jovem. Ele penetra num mundo de segredos, mentiras e horrores que envolve mortes com requintes de crueldade. Apesar de prender a atenção do espectador com muitas cenas de suspense, o desfecho é decepcionante. Lançamento da Columbia. Duração: 103 minutos.
[Retr-Foto:CD6 Z 19 {Grade:Cultura ;Pessoa:Filme ''Pão e Rosas'' ;Evento: ;Lugar: ;Chave:Coluna lançamento de vídeo ;Data:19.10.01 }]
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Produção faz uma radiografia dos imigrantes mexicanos em Los Angeles
Pão e Rosas
O nome do diretor Ken Loach é sempre um selo garantia de qualidade cinematográfica. Quem assistiu a ''Meu Nome é Joe'', seu penúltimo trabalho e a seus filmes anteriores sabe disso. Em ''Pão e Rosas'' (Bread and Roses), prêmio UIP de Melhor Filme Europeu no Festival do Rio, 2000, Loach mostra mais uma vez seu talento atrás da câmeras. O longa é uma radiografia da comunidade mais marginalizada dentro de todas as outras de Los Angeles: os imigrantes mexicanos que atravessam a fronteira em busca de uma vida melhor.
Através das irmãs Maya e Rosa, o cineasta constrói um filme-denúncia com um realismo pouco visto no cinema. Ancorado por ótimos atores (a maioria desconhecidos), Ken Loach retrata com maestria a vida dos imigrantes mexicanos nos Estados Unidos, onde são explorados, marginalizados e, às vezes, precisam trair seus amigos e parentes para sobreviver na América. Lançamento da Europa. Duração: 110 minutos.

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