Região dos antigos fenícios e dos aromáticos cedros milenares, as origens do Líbano se perdem no tempo. Hieróglifos egípcios datados de 2000 a.C. dão conta de um intenso intercâmbio comercial com Egito. Dominado ao longo dos séculos por povos tão diversos como os bizantinos, os turcos e os franceses, o Líbano só se tornou um país independente em 1926.

Menor dentre todos os países do Oriente Médio (menor até do que o estado do Sergipe), o Líbano é a junção de três continentes Europa, Ásia e África , formando um rico mosaico de raças, religiões e culturas. Seu valor histórico é imenso. Há várias referências ao Líbano no Velho Testamento. Uns narram a passagem dos Três Reis Magos pelo país e outros descrevem a peregrinação de Jesus Cristo.

Ainda hoje os moradores de Beirute, capital do país, se chamam de fenícios. Além de sua cordialidade, chamam a atenção a vaidade e o consumismo dos libaneses. Eles se vestem com roupas de grifes européias, adoram jóias e circulam pelas ruas em carros importados.

O turista mais distraído pode até se surpreender com o pequeno número de prédios que ainda guardam marcas de bombas. Mas o fato é que passados mais de 10 anos do fim da guerra civil, Beirute está totalmente reconstruída, além de ostentar novos prédios de arquitetura arrojada, como o da filial da Virgin, recentemente inaugurado, e que é a maior do Oriente Médio.

Um dos locais mais agradáveis de Beirute principalmente à noite é a Praça do Parlamento, onde as antigas construções retomaram a aparência de antes da guerra graças ao empresário e primeiro-ministro Rafik El Harini, que reconstruiu com próprios recursos as antigas edificações exatamente da mesma forma como existiam antes da guerra civil. Do outro lado da praça tem uma colina, onde fica o Serail, o Palácio onde mora e despacha El Harini.

Desde o fim da guerra civil o governo do Líbano é composto por um presidente cristão, um primeiro-ministro sunita e o presidente da Assembléia é sempre xiita. Apesar do fim da guerra civil, as decisões políticas do Líbano continuam subordinadas à Síria. Passando pelas estradas, o turista observa vários cartazes com o retrato do presidente sírio, todos com dizeres de agradecimento do povo libanês apesar de não ser este o sentimento geral. O exército sírio retirou suas tropas apenas de Beirute, permanecendo nas demais cidades sob a alegação de que os libaneses continuam precisando de sua presença para manter a ordem.

Tem mais libaneses vivendo no Brasil (cerca de 6 milhões) do que em seu próprio território, cuja população é de 4 milhões de habitantes. Isso facilita muito a vida do turista brasileiro. Além de a maioria falar inglês e francês (além do árabe, naturalmente), várias pessoas falam o português.

Tudo começou com a visita de D.Pedro II ao país, em 1876. Ele visitou várias cidades do país e fazia questão de conversar com a população local, quando aproveitava para falar do Brasil. Em árabe, língua que falava com fluência, ele os convidava a visitar o país, prometendo recebê-los bem e torná-los prósperos com o cultivo de nosso solo. Quatro anos mais tarde houve a primeira grande onda de emigração de libaneses, qeu foram principalmente para São Paulo e Rio de Janeiro.

Outra personalidade ilustre brasileira que visitou o Líbano foi Pelé. Em 1975, depois de já ter ''pendurado as chuteiras'', mas ainda em grande forma física, ele jogou em Beirute, onde integrou o time local Nijme e deu seu usual show de bola.

O ''cafezinho árabe'' é considerado sinal de hospitalidade. Em todas as casas ele é sempre servido, feito na hora, e compartilhá-lo com seus anfitriões representa o estabelecimento de laços de amizade. Às vezes, eles lêem a sorte do visitante na borra que fica depositada no fundo da xícara. Ao saberem que o turista é brasileiro, mostram-se ainda mais efusivos, lembrando que o ''café é brasileiro'' a marca mais vendida se chama Café Super Brasil. Acompanhando o cafezinho, eles sempre servem doces árabes, frutas e pistaches.

O clima mediterrâneo garante cerca de 300 dias de sol por ano no Líbano. A melhor época para se visitar o país é durante a primavera (entre março e junho). No início da temporada, as montanhas ainda estão cobertas de neve. No mesmo dia, em poucas horas, é possível esquiar nas altas montanhas, apreciando o belo espetáculo da natureza libanesa, e nadar no mar. No verão (de junho a outubro), caracterizado pela ausência de chuvas, são realizados vários festivais ao ar livre e o país fica repleto de turistas, exigindo reservas com antecedência.

Vale a pena conhecer o Monte Líbano, que começa em praias e culmina em altas montanhas, que ficam verdes durante o verão e brancas de neve ao longo do inverno. Um pequeno paraíso, que combina o azul do Mar Mediterrâneo com as construções erguidas nas várias cidades encravadas nas montanhas.

Baalbeck é considerado um dos maiores monumentos arqueológicos romanos do mundo. É lá que estão os templos de Júpiter (o maior do mundo romano), o de Baco (o mais bem conservado de toda a região), e o de Vênus, todos construídos entre os séculos II e III.

Outro grande atrativo da cidade, que fica a 85 quilômetros de Beirute, é o suk-al-khodra, o mercado local de verduras. Além da profusão de cores e aromas, lá se pode experimentar a verdadeira esfiha árabe, feita na hora. Durante o verão, vale a pena ir ao Festival Internacional de Baalbek, onde se apresentam astros do cenário pop internacional.

Na volta de Baalbek faça uma parada em Zahlé, que fica no Vale do Bekaa, a 55 quilômetros de Beirute e de onde partiu a maioria dos imigrantes libaneses para o Brasil. Nas imediações do rio Bardawani tem vários restaurantes, onde se pode saborear diversas marcas locais de Arak, a bebida nacional por excelência.

O texto e fotos foram enviados por João Ricardo Coelho, autor do livro ''Profissão Viajante'' (Ed. Caras), lançado este ano no Rio de Janeiro, Mato Grosso, Minas Gerais e Fortaleza. O escritor pretende percorrer todo o país para lançar ''Profissão Viajante'', que já está na terceira edição.

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