MorumbiFashion mostra competência da moda brasileira
São Paulo, 07 (AE) - A maratona de quatro dias de desfile do MorumbiFashion Brasil , no Pavilhão Manoel da Nóbrega do Ibirapuera, que termina hoje à noite, deixa a certeza de que, enquanto o negócio da moda está cada vez mais consistente, o circo não muda. O setor hoje gera muito emprego: são 22 mil empresas que garantem o sustento de 1,4 milhão de funcionários. O dinheiro que circula é estimado em US$ 300 milhões anuais. Isso sem contar o sucesso que nossas modelos e estilistas vêm fazendo lá fora.
Entre as modelos, o mundo todo já se rendeu ao charme de Gisele Bundchen, e Isabeli Fontana - que desfilou com exclusividade para M. Officer - foi apontada pela Vogue América como a promessa para o novo século. Lorenzo Merlino e Alexandre Herchcovitch têm, cada um, 20 pontos-de-venda no circuito Paris-Londres. E Fause Haten assinou contrato de US$ 500 mil para ter sua moda lançada nos Estados Unidos, com exclusividade, pela Giorgio Berverly Hills.
Mas há componentes na fórmula do estilo tupiniquim que parecem não mudar jamais. O povo continua surtando na hora de entrar nos desfiles, dando piti por causa de lugar e todos, com raras exceções, ficam deslumbrados com o glamour que o mundo da moda tem na mídia. A maioria dos personagens - estilistas, jornalistas, assessores de imprensa, stylists, cabeleireiros, maquiadores, modelos, compradores, estudantes - rouba para si a fama rápida do evento e faz carão para qualquer flash ou holofote. Engraçado é ver essa moçada cair do salto e disputar brinde como se estivesse numa UD da vida. É que nesta edição os patrocinadores capricharam e deram bolsinhas que viraram hits instantâneos, como a distribuída no desfile do Fause Haten, a da Lancôme (redonda e cor-de-rosa) e a da C&A (de borracha reciclada).
Sempre dá confusão, apesar de todo esforço da organização e das assessorias das grifes. Tem cena hilária, como a confeccionista coreana que tem loja no Bom Retiro posando de repórter de revista asiática para garantir um lugarzinho. Ela sacou um caderninho e, em vez de letras, desenhos, muitos desenhos, copiando tudo o que rolava na passarela. Na platéia de Reinaldo Lourenço foi Bya Barros Jereissati, que estava acompanhada do enteado, Pedro, quem ficou batendo pé para ficar no gargarejo. Até que conseguiu.
O desfile da G foi um dos campeões de tumulto. Realizado num micro auditório, teve duas sessões: a primeira para clientes e convidados e a segunda para jornalistas, o que acabou causando confusão na hora da troca de público, deixando no ar a impressão de que o objetivo era criar um clima de disputa. Rouco já no terceiro dia, o diretor do evento, Paulo Borges, protagonizou uma cena com os fotógrafos que tentaram registrar o desfile de Glória Coelho. Sentados na frente da primeira fila para tentar fazer algum click, Paulo Borges quis que saíssem de lá. O pessoal das objetivas se rebelou e ficou, mas o clima estava pegando fogo.





