MORTE Londrina perde a voz de Rosa
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segunda-feira, 02 de junho de 2003
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Tristeza no mundo artístico londrinense. Foi enterrado ontem, às 10h30, no cemitério Jardim da Saudade, o corpo da cantora Rosalina de Jesus Silva, ou simplesmente Rosa como tornou-se conhecida. Há cerca de vinte dias, a artista estava internada no Instituto do Câncer de Londrina onde faleceu por volta das 22 horas de domingo. Há um ano e meio, Rosa estava em tratamento contra um câncer. Ela iria completar 41 anos em setembro.
A notícia da morte pegou a todos de surpresa, principalmente músicos, atores, admiradores e amigos que conviveram com a cantora de personalidade tão marcante quanto seu canto. ''Tinha um talento absurdo. Era uma cantora maravilhosa. O jeito de ela dividir dava uma pulsação, uma juventude incrível para as músicas'', disse Bernardo Pellegrini, secretário municipal de Cultura de Londrina que chegou a dividir com ela palcos e estúdios quando ainda não ocupava cargo público.
Rosa participou do Bando do Cão Sem Dono, grupo liderado por Pellegrini, com quem gravou dois discos ''Humano Demais'' (90) e ''Dinamite Pura'' (92). Juntos também compuseram algumas canções, como ''Você Bate'' e ''Monstro'' (juntamente com Marcos Scolari). ''É uma referência para essa nova geração de cantoras. Ela me influenciou pela paixão que tinha pela poesia. Tinha um canto admirável e um jeito despojado com a vida'', complementa Pellegrini.
O músico Marcos Scolari com quem a cantora teve relacionamento pessoal e musical lembra que conheceu Rosa quando ambos faziam parte do extinto grupo teatral Proteu. ''A sinceridade e a honestidade foram suas grandes virtudes. Ela conseguia estabelecer relacionamentos profundos com as pessoas. Ia fundo ao ponto de, às vezes, pensar pouco nela'', informa.
Além da música, outro elo de união artística entre os dois era o teatro participaram também do grupo Antiácido, junto com outros atores como Apolo Thedoro, Regina Fonseca, Cacá Scolari, Luiz Jorge e o italiano Pino Loicano, na montagem ''Amor é Varietá'', no início dos anos 90. A entrada definitiva nos palcos, já como cantora de noite, aconteceu no final da década de 80, respaldada por experiências como a participação do Festival de Música de Arapongas onde, em 84, ganhou o prêmio de melhor intérprete e de melhor canção, ''Você nem Viu'' (composta por ela e Scolari). ''Era uma cantora nata, autodidata e com um talento cristalino'', resume Scolari.
A notícia da morte de Rosa também deixou triste a presidente de honra do Filo e atual presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Nitis Jacon. Foi Nitis quem a acolheu quando era diretora do Proteu e também compartilhou amizade próxima, principalmente quando a cantora lutava pela manutenção da guarda da filha Camila, hoje com 21 anos. ''Era a época da ditadura e a atividade de atriz ainda era questionável. Eu a apoiei nesse pleito e fui testemunhar a seu favor no juizado de menores. Era uma mãe maravilhosa'', lembra Nitis Jacon.
No Proteu, Rosa ingressou no início da década de 80 e participou de montagens como ''De Salto Alto'', de Mário Prata. ''A Rosa era profundamente humana, sensível, vulnerável e, por isso mesmo, corajosa. Gostava muito, mas muito mesmo dela. Era linda e Rosa'', frisou Nitis emocionada. Além de Camila, Rosa teve outra filha, Manuela, de nove anos, e um neto, Mateus, de 3 anos.
De uma coisa todos vão se lembrar: a maneira, o jeito com que sorvia a vida e transformava esse ato em canto. A Rosa, senhores, vai deixar saudades na noite londrinense.


