Morte de Ray Connif silencia críticos e emociona fãs
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segunda-feira, 14 de outubro de 2002
Cassiano Elek Machado<br> Agência Folha 
A morte do maestro Ray Conniff, na noite de sábado, na cidade de Escondido, na Califórnia (EUA), silencia um capítulo da música orquestral do século 20 escrito com muitas lágrimas, beijos e danças de rostinho colado, por um lado, e por uma fileira sem precedentes de narizes torcidos da crítica, por outro.
Vítima de um derrame, pouco mais de um mês antes dos seus 86 anos - que completaria em 16 de novembro - o músico norte-americano construiu seu império de palmas e vaias com uma discografia que ultrapassou fácil a centena de títulos (em 97 completou cem álbuns só na gravadora Columbia) e, sobretudo, com animações de incontáveis bailes, ao longo de mais de 50 anos de estrada.
Conniff não foi desde o princípio o sinônimo do açucarado e dos ''pá pá rás'' que viraram sua marca registrada. Antes de gravar seu ''S' Wonderful'' em 1956, o primeiro disco com sua clássica sonoridade, o músico chegou a emprestar seu trombone para uma série de orquestras com boa reputação, a mais notável delas a de Artie Shaw, na qual também atuou como arranjador, em 1939.
Mas foi com a batuta de sua própria big band que o maestro da franja linear e branca (que já exibia nos anos 60) aconteceu. Ele produziu 25 álbuns que ficaram entre os 40 mais vendidos dos Estados Unidos, abocanhou dez discos de ouro e dois de platina e empilhou prêmios Grammy sobre a lareira de seu chalé em San Diego.
''Sou bom com ritmo e orquestração. Minha orquestração de ''Besame Mucho' é um clássico. As pessoas nem pensam em mim como um músico, pensam como um som. O som de um coral sem palavras. O som de um ritmo. Os trombones, os saxofones, os violinos. Ray Conniff é uma sonoridade. Serei sempre lembrado por isso'', disse o próprio em entrevista à reportagem no final de 2000.
Bem-humorado, o maestro disse que nunca entendeu por que é chamado com frequência de músico de elevador. ''Não sei por que fazem isso. Tenho 84 anos e em minha vida já estive em muitos elevadores. Nunca, nunca, nunca ouvi um de meus arranjos dentro deles'', cravou o autor de versões modelares de ''New York, New York'' e ''Somewhere my Love''.
Na entrevista, Conniff lembrou que nenhum país do mundo havia sido mais carinhoso com ele do que o Brasil, que diz ter visitado todos os anos de sua vida de 1969 a 2000.


