Morte de Mark Sandman põe fim a banda Morphine
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 07 (AE) - Morreu na frente de 20 mil pessoas, no sábado, durante um show perto de Roma, de um ataque cardíaco fulminante. Tinha 48 anos e inventou uma das bandas mais cool dos anos 90, Morphine, que aboliu as guitarras e criou um crossover de rock, jazz e blues. Era Mark Sandman, o líder do grupo surgido em Boston no início da década. Um baixo marcante e um saxofone rouco eram a marca do Morphine, que viria este ano ao Free Jazz Festival, onde tocaria nos dias 15 e 16 de outubro. A banda estava em turnê com o Soul Coughing, de Nova York, outro grupo de sonoridade "estranha", porém acústica e limítrofe ao rock.
O Morphine acabou com a morte de Sandman, mesmo que resolva ir em frente. Ele era o compositor e baixista do grupo, além de emprestar-lhe uma voz calejada, bluesy. A trilha sonora ideal para a despedida de Mark Sandman poderia ser "Miles Davis Funeral", uma microcanção pungente e visionária do próprio Morphine. Mark Sandman, quem diria, morou no Rio, em meados dos anos 80. Chegou à cidade enquanto mochilava pela América do Sul, segundo conta Silvio Essinger, do "Jornal do Brasil". Morou em Copacabana e Santa Tereza e foi operário da construção civil. De volta a Boston, criou o Morphine.
A banda nunca conquistou as massas. Sempre foi um grupo cult, avesso à badalação do show business. Resultou da fusão da banda anterior de Sandman, Treat Her Right, e do Three Collers, banda do saxofonista Dana Colley. O outro integrante do grupo foi Jerome Dupree, baterista. Seu primeiro disco é "Good", um álbum independente lançado em 1991 e reeditado recentemente pela Rykodisc Records. Dupree saiu e foi substituído por Billy Conway
que já tinha tocado com Sandman.
Seu mais recente disco, "Like Swimming", de 1997, decepcionou um pouco. Mark Sandman viveu a ilusão de fazer uma música popular e impressionista. Nunca é tarde para conhecer o som do grupo. Se possível, vá direto ao ponto: ouça "Cure for Pain", o melhor disco da banda, de 1993.


