''Drume, negrita!'' A canção de Ernesto Grenet celebrizada por Celia Cruz, rainha da salsa cubana, vai tocar como nunca esta semana. A irreverente cantora morreu anteontem, aos 78 anos, em sua casa em Nova Jersey, Estados Unidos, país onde vivia desde que se auto-exilou da ilha de Fidel, em 1960.
Celia Cruz tinha câncer e, já muito doente, segundo as agências internacionais, passou os últimos dias de vida ao lado do marido, Pedro Knight, e da família. Ela foi para os cubanos o que Carmen Miranda foi para os brasileiros, uma embaixatriz alegre e espalhafatosa.
Em 1965, um garçom em Miami trouxe um café e lhe perguntou se ela gostava com açúcar. Ela disse: ''Rapaz, você é cubano e não sabe que gostamos de açúcar?''. A partir dali, a cantora pontuava seus shows com berros de Azúcar! Era escrachada e tinha também um dom para o cinema (fez filmes como ''Os Reis do Mambo'' e ''Salsa''). ''Sempre me dão o mesmo papel, com aquele lenço na cabeça'', ironizou, durante entrevista em São Paulo, em 1995.
Em Havana aconteceu um fato surpreendente: o jornal Granma, órgão oficial do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, noticiou ontem a morte da cantora. Embora assinalando que a artista ''se manteve sistematicamente ativa em campanhas contra Cuba'', o jornal reconheceu que Celia Cruz foi uma ''importante intérprete cubana, que popularizou a música de nosso país nos Estados Unidos''. ''Durante as útimas quatro décadas se manteve sistematicamente ativa nas campanhas contra a Revolução Cubana geradas dos Estados Unidos, sendo utilizada como ícone pela célula contra-revolucionária'', disse a lacônica nota publicada.
Celia Cruz, que nasceu em Havana em outubro de 1925, abandonou a ilha em 1960 por desavenças políticas com a recém-instalada revolução de Fidel Castro. Desde então, sua música foi eliminada das emissoras e discotecas locais.

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