Morros, cavernas e rios são as principais atrações
fotos: Agência X/CascavelLapa DoceCaverna já tem 21 quilômetros de corredores mapeados, dos quais 850 metros no salão principalNa Chapada Diamantina estão as nascentes de 90% das três mais importantes bacias hidrográficas da Bahia, as de Paraguaçu, Jacuípe e Rio de Contas. Por isso, também, estão ali impressionantes conjuntos de cachoeiras (como a Glass, com queda livre de 420 metros e cujas águas viram névoa, pela altura), lagos e poços, geralmente aos pés de picos entre os mais altos do Nordeste, como o do Barbados (o principal, com 2.033 metros), o Itobira (1.970) e o Pico das Almas (1.958 metros).
Para chegar ao cume de alguns picos percorre-se longas trilhas. Quem tem preparo físico apenas razoável chega ao alto cansado, mas é recompensado pelo visual. Um dos que permite contemplar horizonte mais esplendoroso é o Morro do Pai Inácio, considerado símbolo da Chapada, com 1.120 metros de altitude, e do qual se vê outros dois, o Morrão e o do Camelo (ou Calumbi) - com formas que lembram o animal típico do deserto. No alto do Pai Inácio, o vento uiva incessantemente (é impróprio só para quem tenha fobia à altura). O pôr-do-sol visto dali é um espetáculo indescritível.
Entre as cachoeiras, a Glass é a mais importante - é a de maior queda livre em todo o País. Originada em uma fenda geológica e extenso abismo, suas águas parecem querer retornar para o alto de onde brotam, ao se diluírem ao longo dos 420 metros de altura. As águas também fazem o deleite para os olhos (e para o corpo todo) na lagoa que faz a ante-sala da Gruta da Pratinha, cristalinas e com tom azulado, onde o banho é indispensável.
Lago da Pratinha: águas cristalinas e com tom azulado tornam o banho indispensável
Proibido tocar As águas penetram pela gruta, na qual é possível mergulhar com acompanhamento de guia, para observar a variada ictiofauna. Mas em termos de complexos no interior das formações sólidas, os fenômenos mais impressionantes estão nas cavernas, caso da Lapa Doce, com corredores já mapeados de 21 quilômetros, dos quais 850 metros no salão principal. Em outra, está o Poço Encantado, com 28 metros de profundidade e águas azuis; entre junho e setembro, raios de sol que atravessam uma abertura na rocha provocam impressionante efeito visual, ao se refletirem na água.
Na Torrinha, o visitante ficará pelo menos a metade de um dia, se quiser observar todos os detalhes, inclusive pinturas rupestres. Nas cavernas, com temperatura amena (faixa de 20 graus) e estável, estalactites que brotam do alto e estalagmites (que sobem do chão) apresentam formas que lembram animais, rostos e outras partes do corpo - seios são os mais comuns. Pesquisadores do Brasil e do Exterior estão mapeando todas as ramificações que partem dos salões principais, muitas delas ainda não percorridas.
Um centímetro de estalactite ou estalagmite é formado em três décadas, pela água que penetra pela terra e minerais como o calcário, pingando da cúpula das cavernas no primeiro caso, e no caso da estalagmite pelos pingos que não se solidificam e caem. Milhões de anos foram necessários para que as formações atingissem o tamanho atual - em alguns pontos, elas quase estão unidas (afastadas por poucos centímetros), mas para que isso ocorra passarão décadas ou séculos. Os guias alertam: é proibido tocar estas formações, pois elas se quebram facilmente.





