Nelson Sato
De Londrina
Quem assinou o obituário de Morrissey, queimou a língua. O ex-líder dos Smiths voltou a render manchetes no noticiário pop. Turnês bem-sucedidas na Europa e Estados Unidos, no ano passado, içaram o cantor e compositor inglês do ostracismo trazendo na esteira a antiga histeria dos fãs.
Com o prestígio em alta, ele desembarca hoje em Porto Alegre para uma minitemporada de shows no País. A excursão, intitulada ‘‘Oye Steban’’, passou esta semana pelo Chile e Argentina. Amanhã ele se apresenta em Curitiba, na Forum (Rua João Palomeque, nº 80. Novo Mundo. Tel. 41/347-4000). Depois segue para São Paulo e Rio de Janeiro.
Mais independente do que nunca, Stephen Morrissey está sem gravadora e há dois anos não lança nada de novo. Seu último trabalho é a coletânea ‘‘My Early Burglary Years’’. O próximo álbum talvez só saia na Internet. Já quarentão, ele parece desafiar a voracidade consumista do mercado fonográfico, que despeja centenas de candidatos ao estrelato a cada temporada.
Nos anos 80, Morrissey virou mito à frente dos Smiths. Era considerado o filho roqueiro de Oscar Wilde. Usava topete, costeletas e emplacava um hit atrás de outro com sua inconfundível voz de barítono. A banda combinava guitarras cristalinas, delicadezas melódicas e preciosismos literários. Morrissey era acompanhado por Johnny Marr na guitarra, Andy Rourke no baixo e Mike Joyce na bateria.
O álbum ‘‘The Queen is Dead’’ chegou a ser eleito o melhor de todos os tempos pelos leitores da revista Spin. Foi lançado em 1986. O grupo acabaria um ano depois. O repertório da atual turnê inclui três canções da época: ‘‘Meat is Murder’’, ‘‘Is It Really So Stranger?’’ e ‘‘Last Night I Dream That Somebody Loved Me’’.
Mas há rumores de que em palcos brazucas ele cante também ‘‘Ask’’, ‘‘Half a Person’’ e ‘‘The Boy With The Thorn In His Side’’. A fase-solo, por sua vez, tem sido contemplada em shows com ‘‘Speedway’’, ‘‘Tomorrow’’, ‘‘Break Up The Family’’, ‘‘Boy Racer’’, ‘‘Alma Matters’’, ‘‘November Spawned A Monster’’, ‘‘Haidresser on Fire’’ e ‘‘Now My Heart Is Full’’.
Em algumas apresentações européias, ele cantou uma canção inédita chamada ‘‘Women Don’t Seem To Like Me’’, que deverá entrar no próximo álbum. Com o fim dos Smiths, sua trajetória coincidiu com a ascensão do rock alternativo americano, quando a poética melancólica foi substituída pela revolta ruidosa das bandas grunge.
A essa altura, Morrissey parecia um vulto cult movendo-se entre Manchester (cidada natal da banda), Londres e Los Angeles (onde mora atualmente habitando a mesma mansão que já foi do escritor Scott Fitzgerald). A crítica, entretanto, saudou seus álbuns ‘‘Everyday Is Like Sunday’’ e ‘‘Late Night Maudlin Street’’ como obras-primas equivalentes aos melhores trabalhos gravados pelos Smiths.
Agora subitamente reabilitado, Morrissey volta a espalhar sutilezas no pop. Depois da etapa latino-americana, ele segue para Ásia, África e Oceania.
Neste sábado, em Curitiba, as portas do Forum estarão abertas a partir de 21 horas. O show de Stephen Morrissey começa às 23h30, com censura para maiores de 16 anos. Os ingressos estão à venda a R$ 40,00 (preço único) no próprio local do show, no Armazém do CD e nas lojas Bunnys e Candeias.

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