Morreu ontem em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, aos 74 anos, vítima de câncer no intestino, o violeiro Rubens Vieira Marques, o Vieira da dupla ‘‘Vieira e Vieirinha’’, batizados nos anos 50 como ‘‘Os Reis do Catira’’. A dupla ficou conhecida inicialmente por acompanhar Getúlio Vargas nos comícios da campanha eleitoral de 1950. Depois, durante 15 anos comandou o programa ‘‘Alvorada Cabocla’’, na Radio Nacional.
Em 51 anos de carreira, a dupla gravou 76 discos, com os gêneros moda de viola, cururu, cateretê, toada, recortado mineiro e pagode. Com a morte de Rubião Vieira, o Vieirinha, em 1991, Vieira se juntou ao filho e formou a dupla ‘‘Vieira e Vieira Filho’’, chegando a marca de 113 discos.
Segundo o pesquisador Romildo Santana, autor do livro ‘‘A Moda é Viola’’, nos anos 40, o pai, Bernardino Vieira, para comemorar o final de uma colheita, resolveu presentear os filhos e quatro sobrinhos que moravam juntos em uma fazenda no interior paulista com a presença de Tonico e Tinoco.
A dupla ‘‘Coração do Brasil’’, como era conhecida, então separou por afinidade de vozes os seis jovens. Eram três duplas de irmãos, primos entre si. Dali nasceram os cantadores Vieira e Vieirinha, Zico e Zeca e Liu e Léu. Na opinião de Santana, Vieira e Vieirinha formavam ‘‘a dupla mais autenticamente de raiz, mais profundamente enraizada na cultura caipira’’.
Ele conta que, em shows em Mato Grosso, famílias andavam mais de cem quilômetros em lombo de cavalo para conhecer a dupla de perto. ‘‘Foram 60 anos de sucesso’’. A família, que mora em São José do Rio Preto (440 km a noroeste de São Paulo), foi a primeira fabricante de viola no país. Vieira descobrira o câncer havia seis meses.

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