Morre um dos principais poetas do Brasil
Morreu no último dia 13, aos 97 anos, o poeta mato-grossense Manoel de Barros. Ele havia passado por uma cirurgia no intestino, e morreu por falência múltipla dos órgãos.
Um dos principais poetas brasileiros, Barros nasceu em 1916, em Cuiabá (MT). O primeiro poema nasceu quando ele estava com 19 anos e a estreia literária de fato aconteceu com "Poemas Concebidos sem Pecado" (1937), feito artesanalmente por amigos numa tiragem de 20 exemplares mais um, que ficou com ele. O livro garantia sua inserção entre os modernistas.
Na década de 1960, voltou para Campo Grande, onde passou a viver como criador de gado, sem nunca deixar de trabalhar incansavelmente em seus versos. Longe dos grandes centros, demorou para ser reconhecido como grande poeta, mesmo publicando diversas obras.
Leitor dos sermões do padre Vieira, Manoel de Barros mantinha, enquanto a saúde permitia, o mesmo ritmo de trabalho: todos os dias, às 7 horas, dirigia-se ao andar superior de sua casa, no seu "escritório de ser inútil". "Lá, fico horas consultando dicionários etimológicos, descobrindo a origem das palavras, buscando motivação", afirmou em 2002. "Garanto que é uma viagem melhor que qualquer outra de avião."
Ao todo, o autor escreveu 18 livros de poesia, além de livros infantis e relatos autobiográficos. Ganhou dois prêmios Jabuti. "Como todo velho, sou uma criança nova e, com a memória mais aguda, relembro todos os bons momentos que vivi como menino. Enxergo o mundo agora de maneira mais inocente", explicava, sobre seus poemas.
O hábito de ler essa importante obra do barroco brasileiro ensinou o poeta a admirar a formação e a utilização das palavras
Em 1987, "O Guardador de Águas" ganhou na categoria Poesia; em 2002, seu livro infantojuvenil "O Fazedor de Amanhecer" foi eleito a melhor obra de ficção
O Programa Folha Cidadania é o desafio social da Folha de Londrina no combate ao analfabetismo funcional





