MORRE SANDRA BRÉA
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quinta-feira, 04 de maio de 2000
Agência Estado 
A atriz Sandra Bréa morreu ontem de manhã, em sua casa, no Rio, aos 47 anos, depois de sofrer uma parada respiratória decorrente de complicações provocadas pelo vírus da aids a atriz era soropositiva desde 1993. Nas últimas semanas, a atriz enfrentou sérios problemas de saúde, mas permaneceu em casa.
Símbolo sexual dos anos 70 e atriz de prestígio nos 80, Sandra Bréa foi a primeira personalidade feminina do País a assumir publicamente a condição de soropositiva em agosto de 1993, trocou o estrelato pelo recato ao anunciar que contraíra o vírus da aids. Depois, refugiou-se em um sítio na zona oeste do Rio. Queria ficar sozinha com Deus, justificou. Precisava arranjar um sentido para continuar vivendo.
A atriz inicialmente revelara ter contraído o vírus da aids numa transfusão de sangue a qual fora submetida após sofrer um acidente em que ficou presa nas ferragens. Fazia isso para fugir do assédio da imprensa. Depois, descobriu que manteve relações sexuais com soropositivos. À época, era contratada da Rede Globo, que a manteve em seu quadro artístico para utilizar o plano médico.
Sandra Bréa Brito estreou como modelo aos 13 anos, aparecendo em anúncios de refrigerantes e, aos 14, aconselhada pela amiga Leila Diniz, seguiu para o teatro de revista do Rio. Fui a última grande vedete depois da morte da Leila, orgulhava-se a atriz, que estreou em Poeira de Ipanema, ao lado de Carlos Gil e Aizita Nascimento.
Sandra trabalhou no Teatro de Bolso e, em 1968, estreou como atriz na peça Plaza Suíte. Li em um jornal que estavam fazendo testes para pequenos papéis e resolvi tentar, relembrava. Fui avaliada pelo diretor João Bittencourt e pela Fernanda Montenegro e ganhei um dos principais papéis.
Foi contratada pela Rede Globo por intermédio de Moacyr Deriquem, estreando na novela Assim na Terra como no Céu. Ao mesmo tempo, graças ao belo rosto e corpo formoso, passou a estrelar filmes de conteúdo erótico, como Cassy Jones, o Magnífico Sedutor; Um Cigarro Antes, Um Uísque Depois e Os Mansos. A experiência no teatro de revista fazia com que fosse convidada para os shows da Globo (Faça Humor, Não Faça a Guerra, entre outros).
Em seguida, estrelou Liberdade para as Borboletas que a lançou definitivamente. Sandra representava de calcinha e sutiã, uma peça cujo primeiro ato era leve e o segundo, ligeiramente dramático. Em Regina, Mon Amour roubou o espetáculo dançando Money, Money com Miéle, que convenceu a Globo a escalá-la para seu primeiro grande papel: o de Telma, em O Bem- Amado, a primeira telenovela brasileira totalmente em cores, escrita pelo dramaturgo Dias Gomes.
O estrelato e a experiência com dança a levaram para o Fantástico, em que funcionou como apresentadora e dançarina, homenageando atrizes e cantoras famosas.
Apesar da boa fase, ficaram famosos seus acidentes, que quase comprometeram sua atuação. Em Liberdade..., Sandra cortou a mão ao pegar uma faca, teve uma hemorragia em cena, recebeu sangue nos bastidores e terminou mesmo assim o espetáculo, caindo desmaiada. Quando atuava em Regina..., sofrera outra hemorragia, dessa vez interna, em razão de uma gravidez tubária. Faltavam três dias para a estréia de O Bem-Amado e a Globo deu-lhe 12 dias de licença.
Sandra ficou internada e o médico disse que era impossível um restabelecimento em tempo. A atriz, porém, levantou-se cinco dias depois da operação e, apesar das dores terríveis e da ameaça de arrebentar os 26 pontos, garantiu o papel à custa de 20 analgésicos por dia. A dedicação foi produtiva: tornou-se estrela nacional.
Em 1974, foi novamente escalada para uma novela, Corrida do Ouro, para o personagem Isadora, que pedia um corpo de mulher e um rosto de criança. Atuou ainda em Pacto de Sangue e Elas por Elas. Seu último trabalho foi uma pequena participação em Felicidade, de 1992, um ano antes de assumir ser soropositiva.
No cinema, além das fitas eróticas de baixa qualidade, chegou a trabalhar com diretores famosos, como Walter Hugo Khouri. Juntos, filmaram O Prisioneiro do Sexo, em 1978; e Convite ao Prazer, em 1980. Na mesma época, participou de Os Imorais (1979), de Geraldo Vietri.
Temperamental, Sandra Bréa envolveu-se também em incidentes que alimentaram as colunas policiais. Em fevereiro de 1977, apareceu nua na sacada do hotel em que estava hospedada com o marido (que também surgiu nu), em Porto Alegre. No saguão e já vestida, a atriz discutiu e arremessou um bule de alumínio nas pessoas.
No mesmo ano, em maio, Sandra discutiu com funcionários do aeroporto de Porto Velho, em Rondônia. Ela queria viajar com alguns animais (casais de porcos-do-mato, araras e galinhas-da-guiné), porém, sem permissão de autoridades ambientais. Irritada, a atriz alegou ter deixado tartarugas no hotel e tentou ainda apedrejar um avião que estava na pista do aeroporto.
Um terceiro incidente, ocorrido em 1987, envolveu um motorista de táxi de uma empresa, convocado para comprar um medicamento. Como não o encontrou no bairro de Jacarepaguá, onde morava a atriz, o motorista acabou indo ao Leblon. Ao entregar o remédio, porém, foi recebido com quatro tiros.


