PARIS - O pintor, desenhista, ator, roteirista, novelista e dramaturgo francês de origem polonesa Roland Topor, que morreu ontem em Paris, aos 59 anos, era um artista eclético que havia posto seu gênio inimitável a serviço de um humor devastador e iconoclasta.
Filho de um artesão polonês, Roland Topor (palavra que em polonês significa machado) se definia assim: ‘‘Topor por machado, Roland por Romain Rolland’’.
Sobre suas múltiplas facetas, Topor dizia: ‘‘Sempre tive medo de ficar preso a uma carreira, a um meio preciso’’. Pôs seu talento agressivo, às vezes violento, fantástico, mas sempre poético, a serviço das atividades mais diversas, como seus desenhos compulsivos para Anistia Internacional ou seu programa de televisão infantil ‘‘Telechat’’ (Telegato), que em determinado tempo conseguiu uma grande audiência e que dava palavra às coisas, através do gato Groucha e do avestruz Lola.
Quem é Nascido no dia 7 de janeiro de 1938 em Paris, Topor, após estudar na Escola de Belas Artes, começou a colaborar na revista Bizarre a partir de 1958. Co-fundador com o espanhol Fernando Arrabal e o chileno Alejandro Jodorowski do movimento Pânico no início da década de 60 na França, tinha então como divisa ‘‘Je panique et je marre’’ (Tenho pânico e me divirto). Depis colaborou na revista humorística Hara-Kiri de 1964 a 1968.
Topor concebeu e realizou os personagens e as maquetes de ‘‘La Planete Sauvage’’ (O Planeta Selvagem), um longa-metragem de animação realizado por René Laloux e premiado no Festival de Cannes de 1973.
Também desenhava, ilustrando livros de Marcel Aymé e de Arrabal. Escreveu vários livros, entre eles ‘‘Le Locataire Chimerique’’ (O Inquilino Quimérico, em 1964), adaptado para o cinema por Roman Polanski, e ‘‘Portrait en pied de Suzanne’’ (Retrato de Corpo Inteiro de Susana, 1978), livros de contos, ‘‘Joko Fete son Anniversaire’’ (joko celebra seu aniversário, 1970, prêmio Deux Magots), ‘‘Café Panique’’ ‘‘La Plus Belle Paire de Seins du Monde’’ (O Mais Belo Par de Seios do Mundo). Recentemente, havia publicado ‘‘Jachere Party’’.
Teatro Igualmente escreveu obras de teatro para o diretor franco-argentino Jerome Savary e sua companhia do Grand Magic Circus e montou com Jean Michel Ribes ‘‘Batailles’’ (Batalhas) em 1983. Criou a cenografia de ‘‘Les Mamelles de Tiresias’’ de Poulenc em 1985; evocou a figura do Marquês de Sade na obra ‘‘Marquis’’, onde pôs em cena estranhas marionetes animais e, principalmente, a de Jarry, através de uma versão muito pessoal de ‘‘Ubu Rey’’ (1992).
Em 1981, obteve o Grande Prêmio Nacional de Artes Gráficas e em 1990 recebeu o Grande Prêmio da Cidade de Paris.

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