Morre Paco de Lucía
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Há três meses ele fez shows no Brasil apresentando-se para plateias do Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Ontem veio a notícia de que Paco de Lucía havia morrido, vítima de infarto súbito enquanto brincava com os filhos numa praia em Cancún, no México.
Virtuose da guitarra, ele foi responsável pela universalização do flamenco ao recriar a música tradicional espanhola mesclando-a com ritmos como o jazz, o blues, a Bossa Nova e a música indiana. Sua composição mais popular, "Entre dos Aguas", é uma rumba flamenca. Foi lançada no disco "Fuente y Caudal" (1973) e incluída na trilha sonora do filme "Vicky, Cristina, Barcelona", de Woody Allen.
Paco de Lucía era o codinome de Francisco Sánchez Gómez. Nascido em Algeciras, uma minúscula cidade portuária no sul da Espanha, começou a tocar aos 5 anos de idade profissionalizando-se aos 12. Autodidata, sem noções de teoria musical, tornou-se um mito na década de 70. Na década seguinte, fez concertos memoráveis ao lado das lendas da guitarra Al Di Meola, John McLaughlin e Larry Coryell.
As colaborações com outros músicos, aliás, são pontos altos de sua trajetória. Entre os anos 60 e 70, gravou dez álbuns com o vocalista de flamenco El Camaron de La Isla. Em 2004 gravou o álbum "Cositas Buenas" em companhia do violonista Tomatito e de El Camaron. O disco que trazia oito temas inéditos foi saudado como uma "obra-prima" pela crítica e lhe rendeu um Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Flamenco.
No mesmo ano, o músico recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias, distinção maior das artes e da cultura na Espanha. Paco deixou uma extensa discografia. Aos 17 anos gravou "La Fabulosa Guitarra de Paco de Lucía" (1976) e "Fantasia Flamenca" (1969), os primeiros trabalhos solo acompanhado por seus irmãos Ramón de Algeciras e Pepe de Lucía.
Sexteto
Posteriormente, montou um sexteto com o qual gravou discos como "Solo Quiero Caminar" e "Live...One Summer Night". Seguiram-se inúmeros outros títulos, entre eles "Recital de Guitarra", "Almoraima", "Solo Quiero Caminar", "Paco de Lucía en Moscú", "Zyryab", "Siroco e Lucía" e "Paco em vivo desde el Teatro Real" (este foi seu primeiro registro ao vivo). Seu último álbum foi "Paco de Lucía em Vivo", lançado em 2010.
A título de curiosidade, o guitarrista contribuiu com a música brasileira executando um solo na faixa "Oceano", hit do cantor Djavan. Ele estava morando na cidade espanhola de Toledo e passava temporadas em Cancún, no México, onde praticava pesca submarina. Um dos pilares da música espanhola, deixa um vácuo na cultura de seu país. Tinha 66 anos.


