São Paulo - Um dos maiores nomes da poesia portuguesa da segunda metade do século 20, o poeta Herberto Helder morreu na segunda-feira (23), aos 84 anos, em sua casa na periferia de Lisboa, informou sua editora. As causas da morte ainda não foram divulgadas.
Nascido em 23 de novembro de 1930 em Funchal, capital do arquipélago da Madeira, Herberto Helder Luis Bernardes de Oliveira era um homem extremamente reservado, ao ponto de não conceder entrevistas há 30 anos e de renunciar, em 1994, ao Prêmio Pessoa, uma das mais importantes distinções nas letras e ciências em Portugal. Pediu que entregassem o prêmio a outro poeta, pois desejava permanecer oculto.
Helder tem parte de sua obra publicada no Brasil. "O Corpo, O Luxo, A Obra" saiu pela Iluminuras, "Os Passos em Volta", pela Azougue Editorial, e "Ou o Poema Contínuo", publicado pela Girafa. "A Morte Sem Mestre", último livro publicado pelo poeta, saiu em junho de 2014 em Portugal. A edição, esgotada, continha um CD com cinco poemas lidos pelo autor.
Helder frequentou as faculdades de direito e filologia, mas não concluiu nenhum dos dois cursos. Além de publicar poesia, trabalhou com publicidade, colaborou com jornais literários portugueses e diretor literário da editorial Estampa.
"Dotado de uma imaginação e de uma sensibilidade pouco comuns, sua obra se distingue por sua originalidade, sua coerência e traços geniais, que se firmaram desde seu primeiro livro", lançado em 1958, assegurou o presidente português Anibal Cavaco Silva em uma mensagem de condolências.
"Sua importância para a segunda metade do século XX é similar a que teve Fernando Pessoa na primeira", afirmou o crítico literário Pedro Mexia.

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