O dramaturgo, diretor e teórico de teatro polonês Jerzy Grotowski, que mudou a concepção e a técnica da encenação contemporânea, morreu anteontem, aos 66 anos, em sua casa em Pontedera, noroeste da Itália. A causa da morte foi divulgada apenas como uma ‘‘grave doença’’, diagnosticada há alguns meses.
Nascido em Rzeszlow, em 1993, Grotowski é considerado o pai do ‘‘teatro pobre’’, em que a obra está baseada exclusivamente no trabalho do ator e rechaça o desenvolvimento tecnológico.
Na Itália, mantinha o Centro per la Sperimentazione e la Ricerca Teatrale (Instituto Experimental de Investigação Teatral), em colaboração com a Universidade da Califórnia e o Centro Internacional Peter Brook. Seus cursos são baseados mais em uma ética do que em um método. ‘‘É um instituto paracientífico, que se ocupa da arte performática, que não tem por objetivo o espectador’’, afirmou, sobre o centro, em 1996, durante visita ao Brasil. Ele veio ao país participar das comemorações de 50 anos do Sesc.
Seu trabalho influenciou nomes importantes do teatro brasileiro, como os diretores Gerald Thomas e Antunes Filho e os atores Denise Stocklos e Cacá Carvalho.
O dramaturgo polonês Jerzy Grotowski era velho conhecido do País, principalmente pela influência que seu ‘‘teatro pobre’’ exerceu em gerações de atores e diretores brasileiros a partir dos anos 60. Essa influência se intensificou ainda mais em outubro de 1996, quando Grotowski esteve no Brasil para ministrar palestras e trabalhar com alguns grupos locais. Entre seus privilegiados ouvintes estavam Antunes Filho, Luís Melo, Giulia Gam, Cacá Carvalho, Sérgio Mamberti, Vera Holtz, Irene Ravache, Marisa Orth e outros. À época, falou sobre a teoria que norteava sua carreira: a existência de um teatro baseado unicamente do trabalho do ator, sendo portanto uma arte que não se formaria na mente do espectador.

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