Morre o pai do ''teatro pobre''
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de janeiro de 1999
Agência Folha 
O dramaturgo, diretor e teórico de teatro polonês Jerzy Grotowski, que mudou a concepção e a técnica da encenação contemporânea, morreu anteontem, aos 66 anos, em sua casa em Pontedera, noroeste da Itália. A causa da morte foi divulgada apenas como uma grave doença, diagnosticada há alguns meses.
Nascido em Rzeszlow, em 1993, Grotowski é considerado o pai do teatro pobre, em que a obra está baseada exclusivamente no trabalho do ator e rechaça o desenvolvimento tecnológico.
Na Itália, mantinha o Centro per la Sperimentazione e la Ricerca Teatrale (Instituto Experimental de Investigação Teatral), em colaboração com a Universidade da Califórnia e o Centro Internacional Peter Brook. Seus cursos são baseados mais em uma ética do que em um método. É um instituto paracientífico, que se ocupa da arte performática, que não tem por objetivo o espectador, afirmou, sobre o centro, em 1996, durante visita ao Brasil. Ele veio ao país participar das comemorações de 50 anos do Sesc.
Seu trabalho influenciou nomes importantes do teatro brasileiro, como os diretores Gerald Thomas e Antunes Filho e os atores Denise Stocklos e Cacá Carvalho.
O dramaturgo polonês Jerzy Grotowski era velho conhecido do País, principalmente pela influência que seu teatro pobre exerceu em gerações de atores e diretores brasileiros a partir dos anos 60. Essa influência se intensificou ainda mais em outubro de 1996, quando Grotowski esteve no Brasil para ministrar palestras e trabalhar com alguns grupos locais. Entre seus privilegiados ouvintes estavam Antunes Filho, Luís Melo, Giulia Gam, Cacá Carvalho, Sérgio Mamberti, Vera Holtz, Irene Ravache, Marisa Orth e outros. À época, falou sobre a teoria que norteava sua carreira: a existência de um teatro baseado unicamente do trabalho do ator, sendo portanto uma arte que não se formaria na mente do espectador.
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