MORRE O MAESTRO DA VOZ
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de janeiro de 2002
Francelino França 
A música brasileira perdeu ontem um ilustre criador. Morreu no Rio de Janeiro o maestro, pianista e arranjador Marcos Leite, de 48 anos. Ele estava internado para tratar dois tumores cerebrais e faleceu às 5h30, no Hospital Copa DOr, em Copacabana. O corpo foi enterrado ontem no cemitério São João Batista. Seu estado de saúde agravou-se depois de sentir-se mal durante um concerto no Festival de Música de Itajaí (SC), em setembro de 2001.
Marcos Leite inscreveu seu nome no panorama musical brasileiro ao criar, em 1984, o grupo vocal Garganta Profunda. O coro cênico fez escola no país e impulsionou o surgimento de inúmeros grupos vocais do gênero. A marca registrada do trabalho de Marcos Leite elevava a música pela viés da estruturação cênica. O refinamento técnico era outra característica musical do carioca.
O maestro e arranjador deixou inúmeros seguidores em Londrina e Curitiba. Como professor convidado atuou em diversos cursos e seminários no Festival de Música de Londrina nos anos de 1984, 1985, 1993, 1999, 2000 e 2001. Em 1993, na gestão de Marco Antônio de Almeida como diretor artístico, Marcos Leite trabalhou Prática Coral de MPB e arranjo vocal de MPB. Em 1999, durante do 19º FML, dirigiu no coro Cênico mais de 160 pessoas. No ano passado, no FML, esteve à frente do Madrigal MPB e participou do bate-papo Identidade do Ensino da Música no Brasil.
Especialista em transpor a música popular brasileira para a linguagem do universo de canto, Marcos Leite fez cerca de 400 arranjos de MPB para o canto de coro, numa carreira iniciada em 1976. Atuou como diretor artístico do Vocal Brasileirão, mantido pela Fundação Cultural de Curitiba. Ele ajudou a fundar o grupo há dez anos.
Iniciou o aprendizado de piano aos oito anos. Estudou regência na UFRJ, tendo como mestres Henrique Morelembaum, Hélcio Soares, Helena Fiúza e Judith Cocarelli, entre outros. Foi ainda aluno de Anselmo Carvalho, Bernard Bessler e Carlos Eduardo Prates. Na área da escrita coral, desenvolveu uma linguagem que promove a absorção da música popular urbana pelo universo do canto coletivo. Participou das gravações de artistas importantes como Caetano Veloso, Mauro Senise, Altamiro Carrilho, Edu Lobo e Paulo Moura. Fez arranjos para espetáculos, como Suburbano Coração, de Chico Buarque.
Criou, com a esposa Regina Lucatto, o Grupo Vocal Garganta Profunda, no qual desenvolveu um trabalho voltado principalmente para arranjos vocais de MPB, agregando outros estilos, como Beatles e Villa-Lobos. Lançou em 1985 um disco independente e no ano seguinte um disco dedicado à obra de João de Barro. Em 2000, homenageou Chico Buarque e Noel Rosa no CD Chico e Noel em Revista. Nos últimos tempos, o grupo possuía cinco integrantes: Marcos Leite, Pedro Lima, Regina Lucatto, Celso Branco e Kátia Lemos. Em 1999, o Garganta Profunda recebeu o Prêmio Sharp como melhor grupo de MPB. (Colaborou Zeca Corrêa Leite, de Curitiba)
DISCOGRAFIA
Confira os discos do Grupo Vocal Garganta Profunda
criado por Marcos Leite em 1984
- Orquestra de Vozes a Garganta Profunda (1986)
- Yes, Nós Temos Braguinha 80 Anos (1987)
- Garganta Profunda (1991)
- Garganta Canta Beatles ao Vivo (1993)
- Vida, Paixão e Banana Garganta Profunda Canta Tropicália (1995)
- Deep Rio (1998)
- Chico & Noel em Revista (2000)


